segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Para sempre ano velho.

Ok.

Eu erro.

Você erra.

Nós erramos...

Das tantas vezes em que isso acontece, há quando é sem querer, quando é sem saber, por medo e até muitas vezes por acreditar que estamos acertando. Mas dentre eles, existe o erro recorrente, conhecido, de total consciência. Aquele que já sabemos onde começa e principalmente onde termina, e que mesmo assim vamos nos apropriando, o utilizando, sempre com a esperança de que o estrago seja o mínimo possível.

Com o passar do tempo a gente chega a se afeiçoar, de alguns deles passamos a gostar de verdade. Vamos nos acostumando com os estragos, driblando os efeitos e geralmente isso acontece pois, de alguma forma, eles são acompanhados de algum tipo de perdão, interno ou externo.

O que a gente acaba esquecendo é que pouco a pouco, quando aparece, é ele quem fica no comando. Pouco a pouco vamos perdendo a mão e quando nos damos conta , já abriu um buraco enorme.

Aí é quando o perigo bate a nossa porta, quando começamos a pensar "Não tenho mais o que perder.." ou o constante (inclusive não só pensado, mas dito) "Eu sou assim, isso já faz parte de mim." A partir daí passamos a colecionar, amigos perdidos, frases infelizes, corações feridos, antipatias`gratuitas, saúde estragada, etc etc etc...

Já nem se sabe mais se o erro vale a pena de verdade, mas vira e mexe, lá estamos novamente.

O perdão, a essa altura fica lá atrás, perdido, aparentemente sem importância.

Quando no fundo é só o que buscamos.

O problema é que geralmente quando o perdão chega, já não se tem muito o que fazer com ele.




Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros dos anos velhos.




(Camões)




terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sempre...

É. Ninguém nunca sabe o que quer.

Eu também não.

Há dias venho pensando sobre isso. Que diabos procuramos afinal?

Passamos a vida com a maldita mania de querer eternizar tudo, mas estamos sempre com os olhinhos atentos para qualquer sinal de novidade.

Queremos tanto ir. Mas como desejamos voltar.

Damos tudo de nós para um relacionamento, quando ele acaba, subitamente em algum momento um alivio gigantesco nos invade e vem a certeza de que "já foi tarde".

Estudamos cinco anos, pra numa quarta-feira qualquer, às quatro da tarde, olhando pra janela pensar "Por que eu não fui fazer teatro?"

Tudo que a gente quer na vida é um cachorro, até ele mijar no seu travesseiro e você jurar pra você mesmo que odeia cachorros. Isso até ele abanar o rabo quando você chega em casa...

Grita aos sete ventos que nunca mais quer encontrá-lo(a), mas consegue sentir o coração na boca ao saber que ele(a) vai à festa de aniversário do amigo em comum.

Vai três vezes por semana na academia, come alface, toma água, mas é feliz de verdade quando deita no sofá e come pizza, vendo filme.

Juramos que não, quando o corpo grita que sim.

Optamos pelo sim, quando a certeza é não.

Seja às quatro da tarde, ao deitar a cabeça no travesseiro, aos primeiros pensamentos do dia ou enquanto deixamos a água cair no banho, lá está ela... velha, companheira e segura Insatisfação...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Companheira!

Se eu gosto dela?

Ah...acho que aprendi a conviver. Afinal, desde sempre ela está aqui comigo. Às vezes ela me fod*, às vezes ela me livra de roubada e assim vamos convivendo.

Lembro-me do começo, quando ela sussurava em meu ouvido "Deixa o babaca do seu irmão empurrar o carrinho", e eu me divertia vendo que os primeiros passos do meu irmão gemeo eram para me servir!

Molto Superiore!

Pouco mais tarde, assim que o despertador tocava ela dizia "Vai, finge que ta doente! Escola pra que? Tem aquele filme da sessão da tarde". Eu sempre a ouvia.

Conforme o tempo passou, ela continuo firme e forte ao meu lado.

Eu cresci. Ela também...

Continua me atormentando na hora do despertador, mas hoje sou mais forte e faço o que posso para vencê-la. Há tempos atrás, num feito incrível, consegui driblá-la e frequentar a academia!!

Mas sentindo-se fraca, uniu-se aos dias corridos e aí não teve jeito, já era a academia.

Dentre todas suas "influências", en mi vida, uma ganhou destaque surpreendente. De um tempo pra cá, ela vem atuando fortemente sobre PESSOAS.

É. Pessoas...

No trabalho, na balada, na familia e até com os amigos, lá está ela me fazendo cansar os olhos e ouvidos...

"Você é importante para empresa. Precisamos de você!"

"Psicóloga? Que medo, não vou dizer mais nada."

"Você é forte, precisa saber que sua mãe estará sempre com você!"

"Estou encantado!"

"Nada mais para o momento, agradeço desde já."

"Quanto tempo! Sabe que pensei em você outro dia?"

"Terminamos. Por que? Incompatibilidade de genios."

"Ah.. tudo acontece na hora certa"

"Não há provas suficientes. O que temos são recortes de jornais."

"Por que eu ainda te chamo de Amoreco? Chamo qualquer um assim..."

"Precisamos de consciência política"

"Vamos marcar alguma coisa..."

"Se eu for, eu te ligo"

"Você me faz sentir um adolescente.."

"Vou excluir ele do msn."

"VOCÊ ESTÁ ME ANALISANDO?"

Ai Deus.... Que Preguiça....

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fechado!

No meio da madrugada...

Consciência: Ei, Coração...

Coração: Que é?

Consciência: Uou... calma.. vim em paz...! Fala baixo pra não acordá-la...

Coração: Paz? ahh tá....

Estômago: Vocês vão começar de novo?

Esôfago: Cala a boca que depois sobra pra gente...

Estômago: Sempre sobre pra gente...

Consciência: Quietos, vocês querem acordá-la? Coração, me escuta...

Coração: Diz logo..

Consciência: Como você está?

Coração: Tá de brincadeira comigo, é?

Consciência: Calma, é sério... Sei que não está sendo fácil, mas vim propor um acordo...

Coração: Você me fod* e quer acordo?

Consciência: Não se faz de vítima não, que eu também só levo fumo por sua causa...

Estômago: Ó lá..começou...

Coração: Diz logo... que acordo é esse?

Consciência: Então, sabe a história do babaca?

Coração: Claro que sei... Alías, nunca esqueci que foi você quem começou tudo...

Consciência: É eu sei... Mas juro que tive boas intenções. Pode não acreditar, mas achei que ia ser bom pra todo mundo...

Coração: Também pensei... mas.. PUTA encrenca...

Consciência: É eu sei... mas então... tenho novidades sobre esse caso... Aconteceu hoje...

Coração: Vixi... por isso a batedeira de hoje à tarde?

Consciência: Deve ter sido... Tentei fazê-la acabar logo com a palhaçada!

Coração: Tá brincando!! Jura por Deus???? Não tô acreditando....

Estômago: É muito bom pra ser verdade...

Consciência: Calma... sem euforia...! Parece que as notícias são boas, mas vamos precisar de uma força tarefa....

Coração: Posso jogar o babaca no saco preto? Posso, posso...??????

Estômago: Consciência.. sou seu fã...

Consciência: Já disse, calma... Não contaremos com a vitória antes do tempo... Meu plano é o seguinte: Coração, vai limpando tudo aí enquanto eu me concentro aqui no trabalho e no estudo. Tem o inventário também. Estômago, aproveita que tá com ajuda de remédio e faz sua parte.

Estômago: Poxa.. faço o que posso, mas...

Coração: É...ela acha que é fácil...

Consciência: Pô! Tô tentando. Vão me ajudar, ou não?

Os dois: Sim!

Consciência: Ok. Meu único problema é o insconsciente. Mas deixa ele comigo. Coração, olha lá, não me traia hein!??! Não me arruma nada antes da gente colocar a casa em ordem!

Coração: Podexá!

Consciência: Estômago, faz o seu direitinho que amanhã tem gravação... Tal de endoscopia...

Estômago: Tô sabendo...

Insconsciente: Ninguém me chamou, mas pra não dizer que não sou legal, vou avisar. Sonho tá acabando e ela vai acordar...

Coração: Ah não! Será que ele ouviu tudo?

Consciência: Agora não importa mais! Vamos... silêncio, ela ta acordando...! Conto com vocês...

Esôfago: Ei Ei... filmagem??? Ah não, tô todo zuado... filmagem não...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Até tento...

Mas juro que não consigo!

Não sei por que diabos as pessoas se sabotam tanto.

Vontade de tentar entender mais os amigos... Vontade de mandar todo mundo pra lá...

Ontem, depois um dia cheio de conversas e questionamentos (e cinema 3D..há!:D), cheguei em casa sem sono e pensando sobre essas escolhas tortas da vida. Recorri ao velho e bom Pessoa, que tem sempre uma resposta de bate-pronto pra mim.

Assim que abri o livro, ali estava:

O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum,
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: –
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
(Alberto Caeiro)


Fechei o livro, sorri, ajeitei o travesseiro e dormi.