Inevitavelmente há momentos em que nos tornamos dolorosamente lucidos. Com um sopro forte e gelado, acordamos. Em poucos segundos tomamos mão da realidade, que nunca deixou de estar ali, mas que negligenciamos a todo tempo.
Sempre me perguntei o que é que fazemos com a maldita consciência sobre as coisas.
"Que diabos eu faço agora com isso?"
Depois dos mais de três anos de análise, bem sei que chegar a ela, realidade, é o caminho mais seguro, mas talvez falte ainda mais anos para caminhar com menos inquietude.
Sentindo o vento do sopro no rosto, sento, acendo um cigarro e solto a fumaça
fazendo barulho, provavelmente procurando, desesperadamente, uma forma de fugir desse ar gelado e lucido...
É, não funciona...
Inquieta adormeço, deixo-me sentir a brisa quente do sonho até que seja acordada para dias frios.
E seguros.
A noite desce, o calor soçobra um pouco,
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação direta com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E me aproximo das estrelas ou constelações distantes
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.
(Alberto Caeiro)