Depois dos
gritos, o silêncio.
A batida do
portão.
Ficou
estática por algum tempo, as lágrimas escorriam, mas não era exatamente um
choro. Caminhou até a sala, viu o carro arrancar.
Silêncio.
Trancou a
porta e foi trabalhar.
Os anos de alguma forma, ensinam a não parar, a sorrir por fora, mudar o foco, não
falar no assunto.
Voltou tarde
da noite, acendeu a luz da cozinha e ainda podia ouvir os gritos da manhã.
Chorou antes mesmo que as lágrimas caíssem.
O fim não
era um lugar novo, a dor tão pouco, mas a sensação de chegar novamente nele lhe
fazia chorar cada vez mais baixo e contido. Não havia grande surpresa em chegar
àquele fim, ele era anunciado, previsto.
Chorou o
bastante até o banho, durante ele, até adormecer sabendo que, por mais difícil
que fosse aquele era de alguma forma, o único lugar que poderia te levar a um
novo lugar.
Amanheceu.
Abriu a janela.
O novo, de
novo.
"Passou esse verão
outros passarão
eu passo. "
Chico
