segunda-feira, 27 de junho de 2016

Dois pra lá, dois pra cá

É simples, mas não parece. Não tem treino ou coreografia.

É decisão de se aproximar, de estender a mão, de sincronizar movimento, respiração. É esperar ela parar de falar, pra poder girar.

É não parar de falar, pra manter o controle, mas deixar-se levar. É a decisão de continuar quando a música acaba.

Só mais essa.

Ela para de falar.

Sincronizam-se por mais de uma música, sem perceber.

Ele ri, ela questiona, ele reclama da música, ela parou de ouvir a música desde que deixou de resistir parou de falar.

Instinto e movimento.

A música pára, agradecer, voltar a mesa, retocar o batom, retomar a conversa, observar a festa, anular a intimidade.

Dois pra lá, dois pra cá. Sincronizar despedida, história, velocidade, realidade.

Parece simples, mas não é.