Sim... o Natal passou, um pouco mais facíl do que imaginava, mas depois escrevo sobre ele....
Aqui na Bahia, depois de mais um dia de muito sol e uma tarde simplesmente incrível, não resisti e vim aqui deixar o ultimo post do ano...
Os dias por aqui beiram a perfeição (se não fosse o maldito axé).... mas hoje em especial, desde a primeira hora, o dia tem sido absolutamente especial. Gostaria de descrevê-lo em detalhes, mas tô aqui no hotel e o fim de tarde na piscina ainda me espera... rs
Ha minutos atrás, terminando de almoçar num restaurante jamaicano lindissimo, com uma comida incrivel, levantei para pagar a conta e descobri uma mesa cheia de livros que ficam à disposição dos clientes, enquanto estão na praia... sem olhar muito, tomei um em minhas mãos e ao abrir, pra minha surpresa li o que melhor define este meu momento...
E é com essa maravilhosa poesia do Pessoa, que venho me despedir desse ano, aproveitando para desejar a todos muita luz pra 2009. Um cheiro baiano no coração e juízo de cada um!
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914
Verdade ou mentira? Bem, já disseram uma vez que se a lenda for mais interessante que a verdade, publique-se a lenda. Verdade? Mentira? Sei não... mas foi assim!
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sábado, 20 de dezembro de 2008
Aqui, escutando a velha chuva de Caraguá, olhando a árvore de Natal da querida Marisa, mãe de criaturas que hoje eu tanto amo, começo a me perguntar de como será o primeiro Natal sem ela... Claro que essa idéia me atormenta desde o primeiro dia, quando lembro-me claramente de ouvir a Téia e a Xanda dizerem "Calma Ana, tudo ao seu tempo"...
Ok...eis o tempo, meninas... e agora?
Sim, passaram-se quase seis meses (na verdade eles se completam no dia 25/12...), mas isso não muda em nada a dor que sinto cada vez que a noite de Natal me vem a cabeça.
Acordar, ir ao supermercado com ela, afinal SEMPRE faltava alguma coisa, ajuda-la com o pernil, com as batatas... Deuses! Existe natal sem as batatas do pernil de minha mãe? Ir até o corredor e tirar os cabelos dela caídos na roupa...(tinha verdadeiro panico de cair algum fio na comida) "Viu direito, filha?"....
Ver a porta do quarto trancada e saber que está ali, atrapalhada embrulhando os presentes. As experimentações das roupas, idas e vindas ao espelho. As saídas sempre atrasadas, "Cuidado pra não derramar o molho do pernil", "Esse mousse não chegará inteiro", "Sua tia vai dizer que chegamos tarde, você vai ver", "Colocou a chave no lugar?", "Thiago, vamos! Será possível?", os ultimos retoques na cozinha antes da ceia, a meia-noite, o abraço apertado e sempre um "te amo, muito!", a oração, o "comer um pouco de tudo", o abrir dos presentes, os olhos atentos para ver se haviamos gostado dos presentes...
Meu Deus...me falta o ar.
De alguma forma, sempre vi certa tristeza no olhar dela por não ter ali meus avós, mas nunca conversamos sobre isso...apesar de, hoje, compreende-lo perfeitamente.
Definitivamente não faço idéia de como será e na verdade não há muito que eu possa fazer a respeito, a não ser esperar...
Aqui, escutando a velha chuva de Caraguá vou brincando de alegria entre risos e amigos, disfarçando e às vezes até enganando essa dor que não passa...
Ok...eis o tempo, meninas... e agora?
Sim, passaram-se quase seis meses (na verdade eles se completam no dia 25/12...), mas isso não muda em nada a dor que sinto cada vez que a noite de Natal me vem a cabeça.
Acordar, ir ao supermercado com ela, afinal SEMPRE faltava alguma coisa, ajuda-la com o pernil, com as batatas... Deuses! Existe natal sem as batatas do pernil de minha mãe? Ir até o corredor e tirar os cabelos dela caídos na roupa...(tinha verdadeiro panico de cair algum fio na comida) "Viu direito, filha?"....
Ver a porta do quarto trancada e saber que está ali, atrapalhada embrulhando os presentes. As experimentações das roupas, idas e vindas ao espelho. As saídas sempre atrasadas, "Cuidado pra não derramar o molho do pernil", "Esse mousse não chegará inteiro", "Sua tia vai dizer que chegamos tarde, você vai ver", "Colocou a chave no lugar?", "Thiago, vamos! Será possível?", os ultimos retoques na cozinha antes da ceia, a meia-noite, o abraço apertado e sempre um "te amo, muito!", a oração, o "comer um pouco de tudo", o abrir dos presentes, os olhos atentos para ver se haviamos gostado dos presentes...
Meu Deus...me falta o ar.
De alguma forma, sempre vi certa tristeza no olhar dela por não ter ali meus avós, mas nunca conversamos sobre isso...apesar de, hoje, compreende-lo perfeitamente.
Definitivamente não faço idéia de como será e na verdade não há muito que eu possa fazer a respeito, a não ser esperar...
Aqui, escutando a velha chuva de Caraguá vou brincando de alegria entre risos e amigos, disfarçando e às vezes até enganando essa dor que não passa...
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Destination unknown
Na estação de trem...
- Boa tarde senhor, vai pra onde?
- A que horas sai o próximo trem?
- Deu sorte senhor! Sai daqui 15 minutos! Qual o destino?
- Não sei...
- Não sei? Desculpe, não entendi!
- A que horas sai o último trem?
- Às 20hrs. Qual o destino, meu senhor?
- Às 20hrs? Ok, vou aguardar.
Deixando a atendente da estação de trem confusa, se afastou procurando um lugar para sentar. Sentou-se, cruzou as pernas e entre roer as unhas e fumar seu cigarro, algo o atormentava: "Qual o destino, senhor?". Definitivamente sabia que não tinha idéia pra onde queria ir. Na verdade, nem ao menos sabia se queria mesmo ir a algum lugar.
Ali, sentando, com os cotovelos apoiados no joelho, fumando o quinto cigarro, um velho senhor se aproxima e quebra o silêncio sentando-se junto a ele.
- Ah saudade da época que eu fumava!
Olhando para o velho senhor, nada disse, apenas colocou a mão no bolso oferecendo um cigarro de seu maço.
- Não, meu filho, obrigado. Já faz tempo que esse vício não me pertence mais... mas sempre que vejo alguém fumando relembro o prazer que tinha a cada trago.
Ainda sem dizer uma palavra, guardou seu maço de cigarro e voltou a fumar, olhando para frente.
- Vai pra onde, meu filho?
Num cruzar de pernas brusco, tinha a intenção de mostrar que não queria papo. E continuou sem dar uma só palavra. O velho senhor esperou alguns segundos até quebrar novamente o seilêncio.
- É... na verdade não é só do cigarro que eu tenho saudade. Sinto muita falta dessa época em que me dava ao luxo de não saber pra onde ir.. Ahhh havia tanto tempo pela frente.... Bastava uma inquietação pra que eu me levantasse, pegasse minha mala e saisse por aí....! A arte de deixar algum lugar quando não se tem pra onde ir....
Bastante incomodado com a insistencia, mas agora de alguma forma interessado nas palavras q dizia, voltou seu rosto para o lado e passou a observar aquele senhor que continuava a falar sem se preocupar muito se sua presença estava agradando ou não.
- Pensa o que? Que eu achava aquilo bom? (deu uma longa gargalhada) Vivia sempre angustiado, sentindo que não era daquele lugar, seja lá qual fosse... Vivia cheio de gente e tava sempre me sentindo só.... Vivia indo de um canto para o outro, quando na verdade tudo o que queria era um canto quieto pra me acertar. Como vc pode ver, o tempo passou pra mim...e hoje sou só um velho, cheio de histórias pra contar...
Mudo, olhava como que hipnotizado as palavras do velho, que continuava...
- Quando foi que eu deixei de sentir essa inquietação?? (mais uma gargalhada longa...) Ora meu rapaz, o que acha que venho fazer nessa estação de trem quase toda semana? O que bate dentro do peito não mudará nunca... Acontece que com o tempo a gente aprende a ver as coisas com outros olhos... Hoje essa tal inquietação, vontade de ir sem saber pra onde, não me angustia mais... venho pra cá e tem sempre um jovem como você, me fazendo reviver essa época...
Após um breve silêncio, o velho senhor apoia-se no braço do banco na tentativa de se levantar, imediatamente é amparado pelo jovem ainda hipnotizado e mudo.
- É.... passamos a vida numa luta inútil contra os galhos pra descobrir lá na frente que é no tronco que está o coringa do baralho. Raul Seixas, quem disse isso, não!?!
Ainda apoiando os braços do senhor, mas agora com seus olhos claros cheios d'agua sussurrou
- Acho que sim...
Colocou as mãos novamente no bolso, tirou seu maço e mais uma vez ofereceu um cigarro. Já de pé, ajeitando as calças, o velho senhor coloca as mãos no braço do jovem e diz...
- Não acabe com seu pulmão, suas unhas e muito menos com seu coração... você vai precisar deles quando decicidir pra onde ir...
Dando tapinhas no braço do rapaz, o senhor se afastou e caminhou a passos lentos em direção a saída. Ainda de pé, o rapaz acendeu um cigarro, novamente se sentou e seus olhos claros, até então mareados, avermelharam-se e um choro o tomou.
Ali terminou mais aquele cigarro, ainda sem saber pra onde ir....
- Boa tarde senhor, vai pra onde?
- A que horas sai o próximo trem?
- Deu sorte senhor! Sai daqui 15 minutos! Qual o destino?
- Não sei...
- Não sei? Desculpe, não entendi!
- A que horas sai o último trem?
- Às 20hrs. Qual o destino, meu senhor?
- Às 20hrs? Ok, vou aguardar.
Deixando a atendente da estação de trem confusa, se afastou procurando um lugar para sentar. Sentou-se, cruzou as pernas e entre roer as unhas e fumar seu cigarro, algo o atormentava: "Qual o destino, senhor?". Definitivamente sabia que não tinha idéia pra onde queria ir. Na verdade, nem ao menos sabia se queria mesmo ir a algum lugar.
Ali, sentando, com os cotovelos apoiados no joelho, fumando o quinto cigarro, um velho senhor se aproxima e quebra o silêncio sentando-se junto a ele.
- Ah saudade da época que eu fumava!
Olhando para o velho senhor, nada disse, apenas colocou a mão no bolso oferecendo um cigarro de seu maço.
- Não, meu filho, obrigado. Já faz tempo que esse vício não me pertence mais... mas sempre que vejo alguém fumando relembro o prazer que tinha a cada trago.
Ainda sem dizer uma palavra, guardou seu maço de cigarro e voltou a fumar, olhando para frente.
- Vai pra onde, meu filho?
Num cruzar de pernas brusco, tinha a intenção de mostrar que não queria papo. E continuou sem dar uma só palavra. O velho senhor esperou alguns segundos até quebrar novamente o seilêncio.
- É... na verdade não é só do cigarro que eu tenho saudade. Sinto muita falta dessa época em que me dava ao luxo de não saber pra onde ir.. Ahhh havia tanto tempo pela frente.... Bastava uma inquietação pra que eu me levantasse, pegasse minha mala e saisse por aí....! A arte de deixar algum lugar quando não se tem pra onde ir....
Bastante incomodado com a insistencia, mas agora de alguma forma interessado nas palavras q dizia, voltou seu rosto para o lado e passou a observar aquele senhor que continuava a falar sem se preocupar muito se sua presença estava agradando ou não.
- Pensa o que? Que eu achava aquilo bom? (deu uma longa gargalhada) Vivia sempre angustiado, sentindo que não era daquele lugar, seja lá qual fosse... Vivia cheio de gente e tava sempre me sentindo só.... Vivia indo de um canto para o outro, quando na verdade tudo o que queria era um canto quieto pra me acertar. Como vc pode ver, o tempo passou pra mim...e hoje sou só um velho, cheio de histórias pra contar...
Mudo, olhava como que hipnotizado as palavras do velho, que continuava...
- Quando foi que eu deixei de sentir essa inquietação?? (mais uma gargalhada longa...) Ora meu rapaz, o que acha que venho fazer nessa estação de trem quase toda semana? O que bate dentro do peito não mudará nunca... Acontece que com o tempo a gente aprende a ver as coisas com outros olhos... Hoje essa tal inquietação, vontade de ir sem saber pra onde, não me angustia mais... venho pra cá e tem sempre um jovem como você, me fazendo reviver essa época...
Após um breve silêncio, o velho senhor apoia-se no braço do banco na tentativa de se levantar, imediatamente é amparado pelo jovem ainda hipnotizado e mudo.
- É.... passamos a vida numa luta inútil contra os galhos pra descobrir lá na frente que é no tronco que está o coringa do baralho. Raul Seixas, quem disse isso, não!?!
Ainda apoiando os braços do senhor, mas agora com seus olhos claros cheios d'agua sussurrou
- Acho que sim...
Colocou as mãos novamente no bolso, tirou seu maço e mais uma vez ofereceu um cigarro. Já de pé, ajeitando as calças, o velho senhor coloca as mãos no braço do jovem e diz...
- Não acabe com seu pulmão, suas unhas e muito menos com seu coração... você vai precisar deles quando decicidir pra onde ir...
Dando tapinhas no braço do rapaz, o senhor se afastou e caminhou a passos lentos em direção a saída. Ainda de pé, o rapaz acendeu um cigarro, novamente se sentou e seus olhos claros, até então mareados, avermelharam-se e um choro o tomou.
Ali terminou mais aquele cigarro, ainda sem saber pra onde ir....
domingo, 7 de dezembro de 2008
JE NE PARLE PAS FRANÇAIS
Há mais de dez minutos ele a observava, sentada ali, mexendo seu café, provavelmente já frio...
- Bon jour joli, je peux te payer autre café ?
- ... pardon, je ne parle pas Français...
- Je savais ! - a sorriu já puxando uma cadeira....
- Pardon..je ne....
- Brasileira, não?
Ela então sorriu e balançando a cabeça respondeu que sim...
- Ok! Vamos tentar outra vez...! levantou-se e repetiu, agora em português... - Bom dia linda, posso lhe pagar outro café?
- Obrigada, mas minha xicara ainda está cheia...
- Cheia e fria, não? Não me diga que com este inverno gostas de café frio... pareceu-me longe daqui, mexendo o café e por isso ele está gelado... Jean, plus un café, s'il vous plaît! - pedindo ao garçom, mais um café.
- Desculpe-me, agradeço, mas não o quero... já estava de saída... - levantou procurando seu casaco e sua bolsa atrás da cadeira.
- Sem tomar nem teu café frio? Poxa, deixe-me apenas me apresentar... - levantando-se também e apontando para que ela se sentasse novamente.
Tanta ousadia a iriitava, mas sem entender porque, obedeceu os gestos daquele rapaz, que de alguma forma lhe chamara atenção e sentou-se.
- Mon nom est Pedro, satisfaction à dela connaître...
- Juliana. JE NE PARLE PAS FRANÇAIS.... - ela perdera a paciência e levantou-se novamente a caminho da saída, esbarrando bruscamente em Jean, o garçom...
- Desculpe-me Juliana, deixa apenas lhe dizer uma última coisa...
- Prazer em conhecê-lo, Pedro, mas estou atrsada. Obrigada pelo café. Au revoir...
Saiu ainda com o casaco nas mãos, esquecendo os 6 graus que fazia após aquela porta! Atrapalhada entre segurar a bolsa, colocar o casaco e xingar o frio, pensava...:
Pedro, Pedro... que abusado! Quantas vezes ele precisava ouvir que eu não falo francês? "Posso te pagar outro café?" Ora, Ora... quanto mais eu rezo, viu!!..... Deuses!! Estou atrasada mesmo... pra onde será que fica o metro?
E ali partiu, ela e sua desorientação... sempre perdida, sempre atrasada...! Assim era Juliana, com seu jeito atrapalhado de ser, suas manias, seus sonhos, suas paixões, seus medos, tudo acontecendo ao mesmo tempo, no mesmo lugar.
O que será que que ele ainda queria dizer? - dentro do metro, a caminho do hotel Pedro, o abusado, ainda a perturbava....- O que será que me irritou tanto? Bom... já foi... paciência....
Chegou ao hotel correndo, tomou um banho e desceu para esperar Daniela, sua amiga de faculdade que não via desde quando terminaram o curso e Daniela mudou-se para Paris! Sentou-se ao bar do hotel quando o garçom se aproxima e lhe pergunta:
- Il accepte un café, madame ?
Juliana escutou aquela frase como quem toma um susto. Não falava francês, mas sabia que ele havia lhe oferecido um café. Virou-se rapidamente na direção do garçom e o olhava calada...
- Madame...? o garçom a chavama, como se tivesse percebido q ela saira daquele bar por um instante...
- Non, merci.... - sussurrou Juliana, voltando-se pra frente...
Sim. Ela estava pensando em Pedro, ou melhor nos 5 minutos em que viu aquele moço lhe irritar e lhe fazer sair as pressas daquele Café, inclusive sem mesmo deixa-la tomar seu café. Sobretudo, sem entender porque, lembrava da maneira como ele sorria, como ele mexia incessantemente no cabelo, mas principalmente na ultima coisa que ele queria dizer antes dela cruzar aquela porta.
- Jú?
- Dani!!!! Que bom te ver amiga!!! Quanta saudade!!!
- Vamos?
E foram passear pelas ruas frias de Paris a procura de um canto onde poderiam se divertir e matar a saudade!
No dia seguinte...
" Ai Deus! Que dor de cabeça é essa? .... cerveja maldita! Nunca mais, nunca mais!! ..... melhor descer e tomar café..."
Pronto! Ali estava a palavra "café" causando sensações estranhas!
"Não, não Juliana, chega!!!! Não pode pensar naquele mala toda vez que ouvir ou pensar qualquer coisa q lembre daqueles 5 minutos em que o viu! Chega!.... Onde fica mesmo aquele Café onde estava ontem??? JEAN!!! Ele sabia o nome do garçom!!!
Deu um pulo da cama, tomou banho, um remédio para aquela dor de cabeça, desceu tomou café e seguiu, ela, sua desorientação, seus medos, suas paixões, sua coragem... tudo ao mesmo tempo!Caminhou pelas ruas até dar-se conta de que estava novamente no mesmo café de ontem. Sentia-se como que hipnotizada. Entrou e percebeu que Jean, o garçom, a observava. Antes mesmo que ele expressasse qualquer coisa repetiu com um meio sorriso:
- JE NE PARLE PAS FRANÇAIS!
E Jean sorridente:
- Eu sei. Você é brasileira, não é?
Surpresa diante de tal fato pergunta:
- Sou sim. Você também é brasileiro?
Sorrindo Jean balançava a cabeça como se dissesse não.
- Não. Sou Francês, mas morei alguns anos no Brasil. Brasileiro é aquele seu amigo de ontem.
Meio confusa ri e pergunta:
- Ele não é meu amigo. Você o conhece?
Jean novamente em seu gesto negativo, mas sempre sorridente:
- Não o conheço, mas ele costuma freqüentar esse café. Ouviu-me certo dia falando em português e apresentou-se.
- Será que ele aparece por aqui hoje?
- Talvez...
Pois Juliana resolveu sentar e esperar. Mas o que diria a ele? E se a tratasse mal? Muitas eram as perguntas que passavam pela cabeça, que a cada barulhinho que o sininho preso a porta fazia, verificava se era Pedro que chegava. Quando já havia perdido a noção do tempo, Jean se aproxima e diz:
- Madame....! Apontando com a cabeça o rapaz sentado ao balcão...
Pedro!! Era ele! subtamente sentiu um medo enorme, uma vontade de sair pelos cantos sem que ele a percebesse. E se ele não a reconhecesse??? Medo! Juliana estava com medo. Pedro parecia bravo, carrancudo, incomodado, mesmo assim Juliana levantou e dirigiu-se a ele:
- Com lincença, posso lhe pagar um café? Disse apontando para a mesa onde estava sentada.
Pedro franziu a testa, como se não tivesse entendido a pergunta, deixou escapar um sorriso timido e disse:
- Pardon, je ne parle pas Portugais...
Os dois riram e foram sentar. Ali conversaram sem sentir o tempo passar, descobriam-se entre histórias de vida, gostos, sonhos, risos e duas horas depois pareciam saber tudo um do outro. Pedro morava em Paris há sete anos, quando sua mulher foi transferida do Brasil para lá, ainda não sentia-se adaptado, apesa sentir-se feliz ali. O frio era quem lhe tirava o humor! Juliana por sua vez amava o frio tanto que por ele escolhera passar suas férias na Europoa no iverno, namorava e sonhava com seu casamento que seria dali 8 meses numa praia na Bahia. E assim entre risos e olhares, o dia passou e já se fazia noite!
Jean aproxima-se e os interrompe dizendo que infelizmente precisa encerrar o Café.
- Meu Deus! Como o tempo passou! Sua mulher vai lhe matar!
- Ela está na Espanha, num congresso.
- Ok, ok... mas eu também preciso ir, preciso arrumar minhas malas, volto amanhã pro Brasil!
Levantaram, Juliana abriu um sorriso para Jean que lhe disse com a cara amarrada:
- JE NE PARLE PAS FRANÇAIS! Todos cairam na risada.
- Desculpe-me Jean! Chance!
- Sorte pra você também! Au revoir!
Juliana e Pedro sairam e um longo silêncio antecedia a despedida:
- Quer companhia até o metro? Perguntou Pedro.
- Obrigada, não precisa, desde ontem aprendi o caminho, acho...
- Ok... então....Au revoir?
- Au revoir...
Os dois se abraçaram rapidamente na tentaiva de acabar logo com aquilo, ao voltarem do abraço o silêncio retornou, a respiração aumentou e Pedro a beijou. Ainda abraçados, Juliana lembra-se...
- Pedro, ontem antes de ir embora, você me disse que queria dizer uma última coisa... o que era?
- Há muitos anos, em São Paulo conheci uma moça, Mariana, num Café na Liberdade, a vi uma única vez e assim que te vi me lembrei dela. Aliás vocês são incrivelmente parecidas...!
- Quer dizer que voltei neste Café pra ouvir que sou parecida com uma tal de Mariana???? perguntou num tom ironico e de decepção...
- Não, não... Você voltou neste Café pra me mostrar que é ela quem se parece com você!
O silêncio voltou, mas agora acompanhado de dois sorrisos...
- Au revoir? Perguntou Juliana, ainda sorrindo...
- Não, até mais! Respondeu Pedro a soltando do abraço.
Ali se sepraram. Juliana ajeitou o casaco, segurou a bolsa e seguiu. Pedro ainda parado gritou:
- Juliana!!! O Metro fica pra lá...
"A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida"
- Bon jour joli, je peux te payer autre café ?
- ... pardon, je ne parle pas Français...
- Je savais ! - a sorriu já puxando uma cadeira....
- Pardon..je ne....
- Brasileira, não?
Ela então sorriu e balançando a cabeça respondeu que sim...
- Ok! Vamos tentar outra vez...! levantou-se e repetiu, agora em português... - Bom dia linda, posso lhe pagar outro café?
- Obrigada, mas minha xicara ainda está cheia...
- Cheia e fria, não? Não me diga que com este inverno gostas de café frio... pareceu-me longe daqui, mexendo o café e por isso ele está gelado... Jean, plus un café, s'il vous plaît! - pedindo ao garçom, mais um café.
- Desculpe-me, agradeço, mas não o quero... já estava de saída... - levantou procurando seu casaco e sua bolsa atrás da cadeira.
- Sem tomar nem teu café frio? Poxa, deixe-me apenas me apresentar... - levantando-se também e apontando para que ela se sentasse novamente.
Tanta ousadia a iriitava, mas sem entender porque, obedeceu os gestos daquele rapaz, que de alguma forma lhe chamara atenção e sentou-se.
- Mon nom est Pedro, satisfaction à dela connaître...
- Juliana. JE NE PARLE PAS FRANÇAIS.... - ela perdera a paciência e levantou-se novamente a caminho da saída, esbarrando bruscamente em Jean, o garçom...
- Desculpe-me Juliana, deixa apenas lhe dizer uma última coisa...
- Prazer em conhecê-lo, Pedro, mas estou atrsada. Obrigada pelo café. Au revoir...
Saiu ainda com o casaco nas mãos, esquecendo os 6 graus que fazia após aquela porta! Atrapalhada entre segurar a bolsa, colocar o casaco e xingar o frio, pensava...:
Pedro, Pedro... que abusado! Quantas vezes ele precisava ouvir que eu não falo francês? "Posso te pagar outro café?" Ora, Ora... quanto mais eu rezo, viu!!..... Deuses!! Estou atrasada mesmo... pra onde será que fica o metro?
E ali partiu, ela e sua desorientação... sempre perdida, sempre atrasada...! Assim era Juliana, com seu jeito atrapalhado de ser, suas manias, seus sonhos, suas paixões, seus medos, tudo acontecendo ao mesmo tempo, no mesmo lugar.
O que será que que ele ainda queria dizer? - dentro do metro, a caminho do hotel Pedro, o abusado, ainda a perturbava....- O que será que me irritou tanto? Bom... já foi... paciência....
Chegou ao hotel correndo, tomou um banho e desceu para esperar Daniela, sua amiga de faculdade que não via desde quando terminaram o curso e Daniela mudou-se para Paris! Sentou-se ao bar do hotel quando o garçom se aproxima e lhe pergunta:
- Il accepte un café, madame ?
Juliana escutou aquela frase como quem toma um susto. Não falava francês, mas sabia que ele havia lhe oferecido um café. Virou-se rapidamente na direção do garçom e o olhava calada...
- Madame...? o garçom a chavama, como se tivesse percebido q ela saira daquele bar por um instante...
- Non, merci.... - sussurrou Juliana, voltando-se pra frente...
Sim. Ela estava pensando em Pedro, ou melhor nos 5 minutos em que viu aquele moço lhe irritar e lhe fazer sair as pressas daquele Café, inclusive sem mesmo deixa-la tomar seu café. Sobretudo, sem entender porque, lembrava da maneira como ele sorria, como ele mexia incessantemente no cabelo, mas principalmente na ultima coisa que ele queria dizer antes dela cruzar aquela porta.
- Jú?
- Dani!!!! Que bom te ver amiga!!! Quanta saudade!!!
- Vamos?
E foram passear pelas ruas frias de Paris a procura de um canto onde poderiam se divertir e matar a saudade!
No dia seguinte...
" Ai Deus! Que dor de cabeça é essa? .... cerveja maldita! Nunca mais, nunca mais!! ..... melhor descer e tomar café..."
Pronto! Ali estava a palavra "café" causando sensações estranhas!
"Não, não Juliana, chega!!!! Não pode pensar naquele mala toda vez que ouvir ou pensar qualquer coisa q lembre daqueles 5 minutos em que o viu! Chega!.... Onde fica mesmo aquele Café onde estava ontem??? JEAN!!! Ele sabia o nome do garçom!!!
Deu um pulo da cama, tomou banho, um remédio para aquela dor de cabeça, desceu tomou café e seguiu, ela, sua desorientação, seus medos, suas paixões, sua coragem... tudo ao mesmo tempo!Caminhou pelas ruas até dar-se conta de que estava novamente no mesmo café de ontem. Sentia-se como que hipnotizada. Entrou e percebeu que Jean, o garçom, a observava. Antes mesmo que ele expressasse qualquer coisa repetiu com um meio sorriso:
- JE NE PARLE PAS FRANÇAIS!
E Jean sorridente:
- Eu sei. Você é brasileira, não é?
Surpresa diante de tal fato pergunta:
- Sou sim. Você também é brasileiro?
Sorrindo Jean balançava a cabeça como se dissesse não.
- Não. Sou Francês, mas morei alguns anos no Brasil. Brasileiro é aquele seu amigo de ontem.
Meio confusa ri e pergunta:
- Ele não é meu amigo. Você o conhece?
Jean novamente em seu gesto negativo, mas sempre sorridente:
- Não o conheço, mas ele costuma freqüentar esse café. Ouviu-me certo dia falando em português e apresentou-se.
- Será que ele aparece por aqui hoje?
- Talvez...
Pois Juliana resolveu sentar e esperar. Mas o que diria a ele? E se a tratasse mal? Muitas eram as perguntas que passavam pela cabeça, que a cada barulhinho que o sininho preso a porta fazia, verificava se era Pedro que chegava. Quando já havia perdido a noção do tempo, Jean se aproxima e diz:
- Madame....! Apontando com a cabeça o rapaz sentado ao balcão...
Pedro!! Era ele! subtamente sentiu um medo enorme, uma vontade de sair pelos cantos sem que ele a percebesse. E se ele não a reconhecesse??? Medo! Juliana estava com medo. Pedro parecia bravo, carrancudo, incomodado, mesmo assim Juliana levantou e dirigiu-se a ele:
- Com lincença, posso lhe pagar um café? Disse apontando para a mesa onde estava sentada.
Pedro franziu a testa, como se não tivesse entendido a pergunta, deixou escapar um sorriso timido e disse:
- Pardon, je ne parle pas Portugais...
Os dois riram e foram sentar. Ali conversaram sem sentir o tempo passar, descobriam-se entre histórias de vida, gostos, sonhos, risos e duas horas depois pareciam saber tudo um do outro. Pedro morava em Paris há sete anos, quando sua mulher foi transferida do Brasil para lá, ainda não sentia-se adaptado, apesa sentir-se feliz ali. O frio era quem lhe tirava o humor! Juliana por sua vez amava o frio tanto que por ele escolhera passar suas férias na Europoa no iverno, namorava e sonhava com seu casamento que seria dali 8 meses numa praia na Bahia. E assim entre risos e olhares, o dia passou e já se fazia noite!
Jean aproxima-se e os interrompe dizendo que infelizmente precisa encerrar o Café.
- Meu Deus! Como o tempo passou! Sua mulher vai lhe matar!
- Ela está na Espanha, num congresso.
- Ok, ok... mas eu também preciso ir, preciso arrumar minhas malas, volto amanhã pro Brasil!
Levantaram, Juliana abriu um sorriso para Jean que lhe disse com a cara amarrada:
- JE NE PARLE PAS FRANÇAIS! Todos cairam na risada.
- Desculpe-me Jean! Chance!
- Sorte pra você também! Au revoir!
Juliana e Pedro sairam e um longo silêncio antecedia a despedida:
- Quer companhia até o metro? Perguntou Pedro.
- Obrigada, não precisa, desde ontem aprendi o caminho, acho...
- Ok... então....Au revoir?
- Au revoir...
Os dois se abraçaram rapidamente na tentaiva de acabar logo com aquilo, ao voltarem do abraço o silêncio retornou, a respiração aumentou e Pedro a beijou. Ainda abraçados, Juliana lembra-se...
- Pedro, ontem antes de ir embora, você me disse que queria dizer uma última coisa... o que era?
- Há muitos anos, em São Paulo conheci uma moça, Mariana, num Café na Liberdade, a vi uma única vez e assim que te vi me lembrei dela. Aliás vocês são incrivelmente parecidas...!
- Quer dizer que voltei neste Café pra ouvir que sou parecida com uma tal de Mariana???? perguntou num tom ironico e de decepção...
- Não, não... Você voltou neste Café pra me mostrar que é ela quem se parece com você!
O silêncio voltou, mas agora acompanhado de dois sorrisos...
- Au revoir? Perguntou Juliana, ainda sorrindo...
- Não, até mais! Respondeu Pedro a soltando do abraço.
Ali se sepraram. Juliana ajeitou o casaco, segurou a bolsa e seguiu. Pedro ainda parado gritou:
- Juliana!!! O Metro fica pra lá...
"A vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida"
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Ok... vamos lá!
Ele.
Sim! Foi ele quem me trouxe até aqui, me convencendo de que valeria a pena ter um blog. Na verdade tal convencimento é baseado apenas em minha plena confiança nele, uma vez que nunca simpatizei de verdade em "publicar" meus rabiscos...
Enfim... aqui estou!
E já que começamos falando sobre ele, é com ele que esta brincadeira se inicia!
Meados de 99 a vida resolve me brindar, trazendo ao caminho aquele que seria grande responsável pelo que hoje vocês conhecem como Ana! Não, não há como contar minha história sem mencioná-lo!
No auge de todos os conflitos de uma adolescente, com medo de tudo, virando o nariz pra tudo aquilo que se aproximasse da realidade, ele surgiu trazendo um espelho nas mãos e um colo confortável para acolher os estragos que seu espelho causaria.Sim! Ele me trouxe à realidade, fazendo-me enxergar e principalmente tornar quem realmente eu era! Em outras palavras, me deu de presente novos olhos para que eu pudesse ver a beleza e feiura de mim mesma. Tudo isso, claro, sem intenção nem esforço nenhum, conseguiu tal feito apenas ao meu lado, sendo uma das pessoas mais incríveis que já vi por esse breve caminho até aqui!Algum tempo passou, com ele muita coisa mudou, mas ali ao seu lado, uma condição ainda era a mesma: a adolescência. Todos aqui conseguem imaginar o que isso significa! Os novos olhos, agora, procuravam mais, almejavam o novo!! Não adiantava, eu era nova demais pra evitar que isso acontecesse sem sofrimento! E foi ali que desatamos as mãos...
Sim! Foi ele quem me trouxe até aqui, me convencendo de que valeria a pena ter um blog. Na verdade tal convencimento é baseado apenas em minha plena confiança nele, uma vez que nunca simpatizei de verdade em "publicar" meus rabiscos...
Enfim... aqui estou!
E já que começamos falando sobre ele, é com ele que esta brincadeira se inicia!
Meados de 99 a vida resolve me brindar, trazendo ao caminho aquele que seria grande responsável pelo que hoje vocês conhecem como Ana! Não, não há como contar minha história sem mencioná-lo!
No auge de todos os conflitos de uma adolescente, com medo de tudo, virando o nariz pra tudo aquilo que se aproximasse da realidade, ele surgiu trazendo um espelho nas mãos e um colo confortável para acolher os estragos que seu espelho causaria.Sim! Ele me trouxe à realidade, fazendo-me enxergar e principalmente tornar quem realmente eu era! Em outras palavras, me deu de presente novos olhos para que eu pudesse ver a beleza e feiura de mim mesma. Tudo isso, claro, sem intenção nem esforço nenhum, conseguiu tal feito apenas ao meu lado, sendo uma das pessoas mais incríveis que já vi por esse breve caminho até aqui!Algum tempo passou, com ele muita coisa mudou, mas ali ao seu lado, uma condição ainda era a mesma: a adolescência. Todos aqui conseguem imaginar o que isso significa! Os novos olhos, agora, procuravam mais, almejavam o novo!! Não adiantava, eu era nova demais pra evitar que isso acontecesse sem sofrimento! E foi ali que desatamos as mãos...
Dos quase dez anos que se passaram, há oito não nos víamos... até que há semanas atrás estavamos bebendo vinho, ouvindo Beatles e tentando fazer caber naquelas poucas horas tudo o que vivemos nesses anos todos...
Deuses!! Como o tempo passou..!! Quando nos conhecemos, ele recém formado, tentava salvar as dividas com freelas enquanto eu tinha problemas com as provas de física no colegial, hoje me recebe em seu próprio apartamento e escuta sobre meus planos de abrir uma clínica.
Muita coisa mudou, muita!
Mas entre tanta conversa e riso, uma alegria me invadia e aos poucos me dava conta de que estava vivendo algo raro demais...! Que independente de mágoas, de infinitos anos sem contato, ali estavamos como se nada tivesse acontecido!!
Ao sair de lá entrei no carro e outra grande sensação me invadiu.... mais uma vez me dei conta de que não começamos, não terminamos nada... estamos sempre continuando.
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