segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ele mesmo!

Sim, lá do primeiro post!
Meses e meses após me convencer a fazer esse blog, me presenteia com um texto.
Provando que continua sendo meu verdadeiro anjo e que não importa quantos mais (dez) anos possam passar, ele estará sempre ali.
Sinceramente, não sei porque diabos ainda reclamo da vida...

Pense numa pessoa privilegiada, peeeense...

Obrigada, mais uma vez e sempre...


Meses

Às vezes, ela passava meses sem dar sinal de vida. De repente, ligava, no meio da madrugada. Ele acordava assustado e lá estava ela, do outro lado da linh. Sem “alô”, sem “oi”.

– Preciso conversar com você, dizia, entre uma tragada e outra.

– O que aconteceu?

– Estraguei tudo. De novo.

Isso, claro, era exagero dela. Não era sempre ela quem estragava tudo, às vezes, estragavam por ela. Mas ela sempre questionava a própria culpa. Se não conseguia se colocar como culpada, acusava a si própria de ser cúmplice. Ele já sabia que o “estraguei tudo” provavelmente era exagero, e perguntava a ela o que tinha acontecido.

E ela contava. Confusões, relacionamentos, indas e vindas. Sempre com pessoas diferentes, em situações diferentes, mas sempre o mesmo problema: desencontros.

E ele, claro, ohuvia. Não apenas ouvia, como aconselhava e brigava com ela. A despeito do fato de que isso nunca havia sido oficializado, ele sabia que tinha esse direito. Não sabia ao certo porque tinha o direito, mas sabia que tinha. E ela contava tudo: detalhes de forma cristalina e diálogos de forma confusa, e ele se virava da melhor forma possível para montar a história em sua mente.

Nem sempre ele conseguia.

Às vezes, ela aparecia no meio do quebra-cabeça, sorrindo, e ele precisava se concentrar e começar tudo de novo. E montava as histórias, sempre com ela no meio, tentando entender o que tinha acontecido e aconselhá-la, confortá-la, de alguma forma.

E, às vezes, conseguia. E ela dizia que seus conselhos eram bons, que haviam feito ela enxergar os fatos de forma mais límpida, lhe desejava um beijo e desligava. E ele virava de lado, tentava sorrir e pensava duas coisas: espero que ela durma mais tranqüila.

E, a outra, quase antes de dormir, sempre lhe vinha na mente: um dia, ela vai entender.

Sorria um “boa noite”, baixinho, no escuro, e dormia. Com ela.


(R.R.)


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