
Há quem diga que em alguns casos ele é saudável para uma relação, mas confesso que nunca vi absolutamente nada de positivo no ciúme.
Para mim, nunca foi e nunca será uma visita desejada.
Seja quando vem de mim ou quando o recebo de alguém, sinto um desconforto absurdo. Aquela velha e boa preguiça infinita.
Tá, confesso que quando vem de fora, às vezes, parece bonitinho, mas apenas para minha vaidade, não para mim!
Por insegurança, por sentimento de posse ou apenas por um certo "charme", acredito que o ciúme será sempre um veneno.
Quem caminha comigo sabe que a definição de amor que mais respeito, é a que o amor é quando se abre espaço para o outro crescer (Dada por Jorge Mello, compositor e grande amigo de papai), logo não consigo aceitar o ciúme como parte do amor.
O ciúme só abre espaço para angústia, para discussão, para vetar ou ser vetado de alguma coisa.
Ana, Ana...quem ama cuida!
Cuida do que...?
De quem se ama? Do que se ama? Ou de nossa insistente insegurança?
Seja lá quais forem as respostas, ele será nosso companheiro sempre, mais cedo ou mais tarde.
De qualquer forma, que lutemos bravamente contra ele, nos sentindo cada vez mais livres, podendo assim gozar de outros sentimentos [cá pra nós] um bocado mais divertidos.
[...] Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento pra proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo mal fermenta. O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa da sua feiura. Sabendo-se desprezível, apresenta-se com nomes supostos, e como exemplo cito a minha pobre avó, que conhecia seu ciúme como reumatismo [...]
Chico Buarque- Leite Derramado