sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fica José!

Quem caminha comigo já sabe disso, já viu ou ouviu falar!

Meu pai, é genial!

E não é corujice ou orgulho de filha não! Eis a prova!

Fica?

Por José Pontes

Será namoro ou amizade? Rolo, cacho, ensaio de amor, romance ou pura clandestinidade? “Qualé a tua, cara? A garota do tempo que nem chove nem molha. Só no mormaço, na leseira das nuvens esparsas.


Amor líquido, lembrando do livro de Zygmunt Bauman sobre a fragilidade dos encontros amorosos, fica cada dia mais difícil saber quando é namoro ou apenas um lero-lero, vida noves fora zero... Cada vez mais raro ouvir falar em pedido formal de enlace: “Você me aceita em namoro”? Pior ainda se for pedido de noivado. Casamento então, nem se fala.


Lembro que pedir a mão aos pais, meu Deus, era um nervosismo curado com um conhaque tomado no bar da esquina para criar coragem. Seriam mudanças do amor?


Parece que a maioria dos homens, além de não pedir em namoro, além de não pegar no tranco, ainda corre em desespero diante de uma sugestão ou proposta de casamento feita pela moça. E agora são as mulheres que partem para o ataque e, diante de uns temerosos ou acanhados sujeitos, escancaram suas vontades, suas paixões, e fazem suas apostas, seus pedidos, põem na mesa os seus desejos e cartas de intenções.


No tempo de namoro havia sempre o medo do fora. Um sim, mesmo o mais previsível, era uma festa. Já no tempo do “ficar”, quase nada fica, nem o amor daquela rima antiga. Porém alguns sinais continuam valendo e dizem muito. O ato das mãozinhas dadas no cinema, por exemplo, ainda é o maior dos indícios. É que nem ramalhete de flores, carta ou um e-mail de intenções. Pode valer mais do que uma cantada nervosa, mais do que o restaurante japonês, mais do que um amasso no carro, mais do que um beijo com jeito, daqueles que tiram o baton e a força dos membros inferiores. “Vamos pegar uma tela, amor?”, como se dizia não muito antigamente. Eis a senha. Mais até do que um jantar à luz de velas, que pode guardar apenas um desejo de sexo dos dons Juans que jogam o jogo jogado e marketeiro. O cinema, além da maior diversão, como diziam os cartazes de Severiano Ribeiro, é a maior bandeira. Nada mais simbólico e romântico. Os dedos dos dois se encontrando no fundo do saco das últimas pipocas... Não carecem uma só palavra, ainda não têm assuntos de sobra. Salve o silêncio no cinema, que evita revelações e precoces besteiras.


Ah, os silêncios iniciais, que acabam voltando depois, mas voltando sem graça, surdo e mudo, eterno retorno de Jedi. Nada mais os unia do que o silêncio, escreveu mais ou menos assim, com mais talento, claro, Murilo Mendes, poeta dos melhores e mais líricos. Palavras, palavras, palavras... Silêncio, silêncio, silêncio... Dessas duas argamassas fatais o amor é feito e o amor é desfeito. Simples como sístole e diástole de um coração que ainda bate. E será que fica?

Um comentário:

Leandro disse...

Ótimo texto... retrata bem o momento de transição que vivemos... de um lado a busca por um relacionamento ideal no padrão "felizes para sempre" e de outro imposições da "Modernidade Líquida".

Parece que isso começou a ser aplicado aos relacionamentos: o que não serve, é descartado. Pessoas são avaliadas como "pacotes" que "servem" se as compensações forem maiores que os "poréns".

A única coisa que parece que não muda nunca: a geração anterior achar absurdo o que a atual acha normal...