- Mãe? Mãe, é vc?
Ajeitando os sapatos em pares, no canto, respondeu:
- Isso aqui tá uma bagunça, hein?
-Meu Deus, mãe...é você...
- Sim, filha...
Em choque, com os olhos assustados e cheios d´agua perguntou?
- Eu tô sonhando, né?
Como resposta, teve apenas um doce sorriso e uma aproximação.
- Você é um espírito? Eu preciso ter medo de você?
- Deixa de besteira! Sou sua mãe, menina!
- Ué, mãe sei lá... mas, mas... caramba! é você mãe!
- Sim filha, sou eu... disse sentando ao lado dela na cama e estendendo as mãos.
- Ai meu Deus! Mas... mas... pode abraçar....?
- Ô filha, claro, vem cá me dar um abraço!
Em meio segundo, jogou-se nos braços da mãe e desatou num choro.
- Que saudade mãe que saudade como isso ta acontecendo porque você foi embora como foi que aquilo tudo aconteceu diz pra mim que não tô sonhando diz pra mim que você não vai embora nunca mais por favor.
- Calma, filha... tá tudo bem... - sorrindo, acalentou até que ela parasse de chorar e voltasse a respirar normalmente.
- Onde você fica agora, mãe? Existe céu? E Deus, mãe? Tem anjo? E meus avós? Você viu eles?
- Filha... - apenas balançava a cabeça ainda sorrindo...
- Me conta mãe? Por que você foi embora? Eles erraram, né? Os médicos, não foi?
- Filha... isso não importa agora... acalme-se...
- Que acalme-se o que, mãe! Faz dois anos que me pergunto isso... faz dois anos que não vejo você!
Sorrindo, continuava a acalenta-la, acalmando-a.
- Minha filha, estou aqui apenas pra que você saiba que eu estou bem... está tudo bem...
- Que bem o que, mãe! Bem estaria se você estivesse sempre aqui...
- Mas eu estou, filha! Não como antes, mas estou e vou sempre estar.
- E meus irmãos, mãe? Você falou com eles também? Sabia que somos muito amigos agora? É tão bom mãe, estamos juntos quase sempre! Queria tanto que você visse isso...
- Eu vejo sim, filha... estou muito orgulhosa de vocês!
- Você vê tudo, mãe? Queria te contar tantas coisas...
- Você precisa voltar a dormir, minha filha. Tem que acordar cedo amanhã...
- Não quero. Quero ficar aqui com você...
Retomaram o abraço, dessa vez longo e calmo.
- Sinto tanto a sua falta, mãe...
- Eu sei, filha.. eu também. Agora quero que volte a dormir e acorde bem amanhã.
- Mãe..
- Oi...
- Lembra quando eu era pequena, derrubava sempre o edredom no chão, porque me mexia demais na cama? Ai você me "prendia", colocando ele debaixo do colchão, pra eu não me descobrir?
- Claro que lembro... - respondeu rindo...
- Me "prende" antes de ir embora?
Enxugando as lágrimas do rosto dela e a conduzindo deitar, balançou a cabeça com um sim, sempre sorrindo.
- Durma bem, filha. Está tudo bem...
Ajeitando a cabeça no travesseiro, foi fechando os olhos e com eles já fechados ainda soltou:
- Mãe...
- Oi, filha...
- Você me ama? Muito ou pouco?
- Sim, filha, pouco não!
Assim, adormeceu.... sorrindo!
À todos os amigos que estiveram comigo, ao pequenino e peludo Flock, à minha tia Natália, Waldir, Analice, aos amigos da faculdade onde ela estudou, à Tia Cris, Lucila, Carlos, à minha querida analista Silvia, à meu amado Pai , à Vilma e principalmente aos meus preciosos irmãos, Thiago e Clarissa. Sem vocês teria sido muito mais dificil!
Amo vocês e essa força que vocês me ajudaram a criar nesses dois anos sem Nonô!
Amo vocês e essa força que vocês me ajudaram a criar nesses dois anos sem Nonô!
2 comentários:
Vida Vivida
um beijo
silvia
Meus amados filhos, o que seria da vida se não fosse a morte, ou pior, como seria a morte se não existisse vida? Como diz a melodia do saudoso beatle John Lennon : Mãe, você me teve mas eu nunca pude te ter... As mães não nascem e por isso mesmo nunca morrem. Mas ninguém escapa de ser filho. E eu pai aguardo o tempo de ser filho de vocês. Pontes/10.
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