sexta-feira, 30 de julho de 2010

Slava´s Incrível Show

Poucas gente sabe, mas um dos meus sonhos de pequena, era ser palhaço. Não sei bem por que, na verdade não fui muitas vezes ao circo quando criança, mas a imagem do palhaço sempre foi algo que me encantou. Na adolescência comecei a fazer teatro e foi nas aulas de clown que minha paixão se concretizou.

Lembro-me que uma das primeiras técnicas, era aprender transferir os olhos para o nariz! Ele deveria "olhar" antes que os olhos! Sai da primeira aula absolutamente encantada, passei a semana toda treinando, "olhando com nariz"!

Algum tempo se passou, veio a história de vestibular e junto com ela a frase de minha mãe "Artes Cenicas, filha? E você vai viver do que?" [mal sabia ela que psicologia não seria tão diferente...]. Aí voltei meus olhos para o lugar e acabei desatando as mãos com o teatro,com o clown. Trago esse amargo na boca até hoje e talvez por isso, fale tão pouco no assunto.

Nesse espaço de tempo, a vida sempre se encarregou de me deixar próxima do assunto. Na faculdade participei de pesquisas sobre teatro, trabalhos sobre doutores da alegria e anos mais tarde os caminhos me levaram pra dentro do tão grandioso Cirque du Soleil. Todas essas experiências sempre mexeram muito comigo, em especial o Cirque, claro, mas em todas elas eu estava envolvida em algo maior, com responsabilidades, que acabavam me afastando da sensação de voltar para aquele encantamento com o tema.

Eis que ontem um judeuzito-ruivo-muito-querido, me presenteou com ingressos para o espetáculo Slava´s Snowshow. Até então, eu pouco sabia do que realmente se tratava, sabia que era relacionado a circo e que por isso, queria levar meu afilhado [o que não aconteceu, já que classificação etaria não permitiu].

Ai aquela correria da vida paulistana, corre-transito-banhocorrendo-searruma-sai-mais transito. Sentei meio esbaforida sem saber muito o que esperar. Foi quando, já na primeira cena, meu coração disparou. Palhaço amarelo, o principal, entra em cena e ali, de cara, me dei conta que jamais teria visto um palhaço mais palhaço do que ele. Incrivelmente perfeito.

E com o coração acelerado e a boca-seca-sorrindo, fui me surpreendendo a cada minuto. Tudo! As cores, as músicas, os gestos.


Aos poucos, entre risos e olhos marejados, fui voltando ao meu sonho de menina. Diante daquele universo rico, colorido e cheio de emoção, fui levada à minha paixão antiga. Incrível!

Há um intervalo, de vinte minutos, em que todos eles descem do palco e ficam ali entre todos, brincando. Não dizem nada, apenas passeiam sobre as cadeiras, deitando nos colos, despenteando os cabelos, fazendo crianças rirem e senhores de gravata rirem como crianças.

Quando retornam, ele, o amarelo, nos derruba com uma das cenas mais emocionantes do espetáculo, protagonizados por ele e um paletó.

E quando estamos ali, plenamente emocionados e até satisfeitos, somos surpeendidos pela indiscritivel cena final. Ao som de Carmina Burana, achei que meu coração fosse pular pela boca. [Juro]. Olhei para trás e vi que não era a única.





Sem palavras e cobertos pela neve de papel, levantamos todos aplaudindo com força e com gritos. E ali de pé ainda pudemos brincar com as enormes bolas que brotaram do fundo do palco em direção ao público.



Sai deste espetáculo com a certeza [clara e absoluta], que foi uma das coisas mais incríveis que já vi na vida.

Sorrisos de agradecimentos a esses russos queridos de nariz vermelho!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Hoje


"Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."