quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu disse

que ela me disse que você falou, mas que no fundo eu sei que você jamais falaria o que me disse que negou. Talvez seja aquilo que a gente disse, que já sabíamos que iam dizer sobre aquilo que a gente nunca jurou. Você escuta o que dizem e eu te digo que o que importa é o que o coração escutou, que seja lá o que digam a gente sabe que nunca errou. Pode ser que ainda falem e a gente finja que não escutou e então diga outra vez que agora acabou. Até que chega o dia que o tempo diz que ele passou e então a gente ri de tudo que se importou e só assim consegue dizer que o que importa é o carinho que ficou.

domingo, 20 de março de 2011

My real Autumn...

Entre os prédios pichados do centro da cidade, vejo o dia terminar. Se em Caraguá caminho até o banquinho à beira-mar e vejo o sol se pôr atrás das montanhas da Lagoa Azul, na janela do escritório me contento em ver a luz do sol desaparecer por detrás da galeria Nova Barão.

Nessa sexta-feira, com o dia bastante cinza, o verão também se pôs. Aquele verão que nos liberta, nos tira do chão, que é sempre tão cheio de histórias, despediu-se deixando o cenário para o sábio e amarelado outono entrar.

Se um tem molecagem da liberdade [ou "tinagem"], o outro chega com a calma da maturidade.

De alguma forma inexplicável, meu coração foi quem me avisou que o verão havia partido. O que parecia uma larga ressaca pós-carnaval, já me mostrou que se trata de uma fase verdadeiramente tranquila. É como se tudo fosse automaticamente desacelerando, aquietando meu coração-menino. Aquela paixão-saudade, a certeza de que se precisava decidir por algo, as noites inteiras de bebedeiras e espera, o desconforto de não me achar em lugar algum, o discurso dramático e viciado sobre as dores e traumas, entre outras intensidades, estão evaporando...

Aos poucos tenho colocado cada emoção no seu devido passado.

Arrumo minhas malas para deixar o tempo eterno do:"tomar consciência sobre as coisas", do "homens de vida vazia", "do altruísmo exagerado". "do não deixar minha mãe ir embora", do "meus irmãos precisam de mim", do "eu não consigo", do "eu preciso que acredite em mim".

O sopro frio, que anuncia o outono, tem levado um a um.

O presente é protagonizar. Simples Assim.

Quero cada dia desse outono, cada silêncio, cada mudança. E assim, quando os dias escuros e frios do inverno chegarem, eu possa estar mais iluminada e aquecida do que nunca.

Bem-vindo, Outono! Bem-vinda, Ana!

Assim como devemos dar créditos às citações e fotos,
registro aqui, o crédito àquela que tem
me feito acordar para esse novo presente.
À Vivi Prado,
meus sorrisos de agradecimento por cada' tapa na cara e soco no estômago',
mas, sobretudo, por me fazer olhar pra mim.