domingo, 20 de março de 2011

My real Autumn...

Entre os prédios pichados do centro da cidade, vejo o dia terminar. Se em Caraguá caminho até o banquinho à beira-mar e vejo o sol se pôr atrás das montanhas da Lagoa Azul, na janela do escritório me contento em ver a luz do sol desaparecer por detrás da galeria Nova Barão.

Nessa sexta-feira, com o dia bastante cinza, o verão também se pôs. Aquele verão que nos liberta, nos tira do chão, que é sempre tão cheio de histórias, despediu-se deixando o cenário para o sábio e amarelado outono entrar.

Se um tem molecagem da liberdade [ou "tinagem"], o outro chega com a calma da maturidade.

De alguma forma inexplicável, meu coração foi quem me avisou que o verão havia partido. O que parecia uma larga ressaca pós-carnaval, já me mostrou que se trata de uma fase verdadeiramente tranquila. É como se tudo fosse automaticamente desacelerando, aquietando meu coração-menino. Aquela paixão-saudade, a certeza de que se precisava decidir por algo, as noites inteiras de bebedeiras e espera, o desconforto de não me achar em lugar algum, o discurso dramático e viciado sobre as dores e traumas, entre outras intensidades, estão evaporando...

Aos poucos tenho colocado cada emoção no seu devido passado.

Arrumo minhas malas para deixar o tempo eterno do:"tomar consciência sobre as coisas", do "homens de vida vazia", "do altruísmo exagerado". "do não deixar minha mãe ir embora", do "meus irmãos precisam de mim", do "eu não consigo", do "eu preciso que acredite em mim".

O sopro frio, que anuncia o outono, tem levado um a um.

O presente é protagonizar. Simples Assim.

Quero cada dia desse outono, cada silêncio, cada mudança. E assim, quando os dias escuros e frios do inverno chegarem, eu possa estar mais iluminada e aquecida do que nunca.

Bem-vindo, Outono! Bem-vinda, Ana!

Assim como devemos dar créditos às citações e fotos,
registro aqui, o crédito àquela que tem
me feito acordar para esse novo presente.
À Vivi Prado,
meus sorrisos de agradecimento por cada' tapa na cara e soco no estômago',
mas, sobretudo, por me fazer olhar pra mim.





2 comentários:

Vivi Prado disse...

Nossa...estou sem palavras, apenas algumas lágrimas...lindo!
Nestes momentos a vida faz sentido :-)
Beijo
Vivi Prado

Yellow disse...

Demorei... mas li!

E gostei muito, muito do que li! :)