quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As Pontes de Madison


Lá fui eu, novamente, assistir As Pontes de Madison.

É antigo e é a clichê, mas é um dos meus preferidos, confesso.

O filme conta a história de Francesca, uma dona de casa dedicada que em uma das viagens do marido para exposições de animais, conhece Robert, um fotógrafo aventureiro que já conhece quase todos os lugares do mundo e nunca se prendeu a mulher nenhuma. Os dois acabam se apaixonando e vivendo uma das histórias mais fortes que já vi por aí em filmes.

Lembro-me da primeira vez em que assisti. Eu e Denise Suzuki, minha melhor amiga dos tempos de colégio. Não deveríamos ter mais de 12 anos e ao invés de ir ver Chaves, ou qualquer coisa assim, passávamos as madrugadas de sábado assistindo os filmes do pai dela. Tenho a lembrança viva de quando o filme terminou, olhamos uma para outra, chorando, e não trocamos uma só palavra.

Claro que éramos meninas demais, mas tenho a nítida sensação que foi naquele dia em que nos demos conta de que existia algo mais forte e doloroso, do que nossas paixões não correspondidas no colégio.

Nesses quinze anos, aprendi bastante sobre histórias fortes e dolorosas, mas hoje, quando o filme termina me dou conta de que Francesca, me faz acreditar mais na existência do amor e em suas infinitas formas.

Mesmo assim, chorando de soluçar, sussurro "abre, abre", na cena mais forte de todo filme.

"não posso começar uma vida nova, abandonando tudo que já construi até agora...levaria minha vida passada e todos que tiveram nela, mesmo a muitos km de distância...e me culparia por te amar tanto."

sábado, 10 de setembro de 2011

Assim

Não sei bem o que ele faz,
Mas desfaz algo aqui dentro.
E eu tento, juro que tento
Mas quando deito, me aperta o peito
E o que é certo parece desfeito.
Talvez seja assim pra sempre
ou por um tempo
A verdade é que eu gosto dele
e não tem jeito.

domingo, 4 de setembro de 2011

Boat of Life

Lembro-me de chegar em casa calada e sentar na cozinha. Minha mãe veio até mim, acendeu um cigarro e sentou a mesa.

- O que foi?

- com medo...

Meu namorado, na época, havia ido encontrar a ex-mulher para resolver alguma pendência de documento. Lá ficamos, as duas, conversando sobre isso por horas.

- Mas do que você está com medo, afinal?

- Medo do barco furar...

- Minha filha, o barco vai furar e não vai ser uma vez. Ele fura sempre... O importante é saber nadar. E isso, sei que você já sabe. Fique sempre tranquila e veja para que lado você irá nadar.

Jamais esqueci isso. Enquanto ela ainda estava viva, foram muitas vezes em que cheguei em casa, dizia que o barco havia furado, ela me sorria e eu dizia...

"Já sei, já sei... nadando...!"

Passamos a vida colecionando barcos furados. Seja um trabalho, uma amizade, a compra de um carro ou a velha insistência em algum relacionamento, lá vem a água entrando por baixo nos obrigando a pular e nadar.

Vai ver, essa é mesmo a graça da 'cousa'. Com o tempo, a gente perde aquele desespero de jogar a água pra fora e já pula logo. Chega a ter vezes que nadar parece muito melhor do que aquele balanço do barco.

Hoje, sempre que isso acontece, continuo sentando na mesa da cozinha e posso ver o semblante calmo dela, olhando pra mim com a cara de "não se preocupe, vai dar tudo certo". Isso me faz bem e, de verdade, me acalma.

Não importa quantos barcos novos ou velhos possam furar, a sensação da liberdade em saber nadar, irá sempre me dar a certeza de que logo ali tem um novo lugar para descansar antes de entrar num novo barco!