Não devem ter menos de 50 anos.
Ela deve pintar o cabelo a cada 15 dias.
Ele faz a barba sempre no banheirinho da área de serviço.
Eles fumam. Muito. Sempre na janela da cozinha-área-de-serviço, que é em frente a janela da sala da Téia. E há um ano, desde que a hermanita mudou-se para esse apartamento, os observo.
Ou melhor, os admiro.
Talvez sejam casados há 30 anos, talvez tenham se encontrado há poucos anos, não importa, eles são [ali da minha visão, do outro lado], o retrado da palavra companherismo. Às vezes ela está cozinhando, às vezes lavando roupa, às vezes só segurando um pano de prato na mão e ele está ali, conversando com ela, entre uma tragada e outra.
Por vezes percebi um clima tenso, sério, mas nunca de briga, sempre em diálogo. O comum mesmo é estarem sempre sorrindo um para o outro, como se estivessem falando besteira ou lembrando alguma viagem de verão na juventude.
A primeira vez que tive vontade de escrever sobre eles, foi há muitos meses atrás, quando ao passar do quarto para cozinha, presenciei um beijo apaixonado, desses de cinema, dos dois ali na janela.
Corri, meio adolescente-meio "véia" fofoqueira:
Téeeia, vem ver!
Cena linda de morrer, acreditem!
Bom, ali eu me tornava oficialmente fã daquele casal. Mas mal podia imaginar que, o melhor mesmo, ainda estava para acontecer! Há dias atrás, num sábado à noite, ao som (alto) de Frank Sinatra, eles estavam dançando.
Isso mesmo! DANÇANDO!
Ela, de camisolinha de algodão azul dançava pra ele, enquanto ele, só de bermuda, abria os braços balançando o corpo, também. Dançaram separados, juntinhos, brincando, amando...
E nós?
Desligamos o som, paramos de falar e ficamos ali, paralisados, observando. Nós, mulheres, suspirávamos e provavelmente imaginávamos o mesmo: a mesma cena com nossos respectivos daqui a vinte anos. Os homens... bom, os homesns certamente pensavam o mesmo também: hoje os veios vão transar!
E acho que estavam certos. Pouco depois as luzes se apagaram, o som desligado e a janela do quarto foi fechada.
Em tempo de tanta descrença no amor, nesse dia acreditei um pouco mais na existência, manifestação e beleza dele.
Ao casal da janela, a Ilma e Toninho, Pai e Vilma, meu sorriso grande e sincero de agradecimento, vocês me fazem acreditar verdadeiramente no amor.
E eu lhes devo muito por isso.
Ela deve pintar o cabelo a cada 15 dias.
Ele faz a barba sempre no banheirinho da área de serviço.
Eles fumam. Muito. Sempre na janela da cozinha-área-de-serviço, que é em frente a janela da sala da Téia. E há um ano, desde que a hermanita mudou-se para esse apartamento, os observo.
Ou melhor, os admiro.
Talvez sejam casados há 30 anos, talvez tenham se encontrado há poucos anos, não importa, eles são [ali da minha visão, do outro lado], o retrado da palavra companherismo. Às vezes ela está cozinhando, às vezes lavando roupa, às vezes só segurando um pano de prato na mão e ele está ali, conversando com ela, entre uma tragada e outra.
Por vezes percebi um clima tenso, sério, mas nunca de briga, sempre em diálogo. O comum mesmo é estarem sempre sorrindo um para o outro, como se estivessem falando besteira ou lembrando alguma viagem de verão na juventude.
A primeira vez que tive vontade de escrever sobre eles, foi há muitos meses atrás, quando ao passar do quarto para cozinha, presenciei um beijo apaixonado, desses de cinema, dos dois ali na janela.
Corri, meio adolescente-meio "véia" fofoqueira:
Téeeia, vem ver!
Cena linda de morrer, acreditem!
Bom, ali eu me tornava oficialmente fã daquele casal. Mas mal podia imaginar que, o melhor mesmo, ainda estava para acontecer! Há dias atrás, num sábado à noite, ao som (alto) de Frank Sinatra, eles estavam dançando.
Isso mesmo! DANÇANDO!
Ela, de camisolinha de algodão azul dançava pra ele, enquanto ele, só de bermuda, abria os braços balançando o corpo, também. Dançaram separados, juntinhos, brincando, amando...
E nós?
Desligamos o som, paramos de falar e ficamos ali, paralisados, observando. Nós, mulheres, suspirávamos e provavelmente imaginávamos o mesmo: a mesma cena com nossos respectivos daqui a vinte anos. Os homens... bom, os homesns certamente pensavam o mesmo também: hoje os veios vão transar!
E acho que estavam certos. Pouco depois as luzes se apagaram, o som desligado e a janela do quarto foi fechada.
Em tempo de tanta descrença no amor, nesse dia acreditei um pouco mais na existência, manifestação e beleza dele.
Ao casal da janela, a Ilma e Toninho, Pai e Vilma, meu sorriso grande e sincero de agradecimento, vocês me fazem acreditar verdadeiramente no amor.
E eu lhes devo muito por isso.
4 comentários:
quero muito colocar uma cortina... mas já se foram 1 ano naquele ap e ainda não coloquei ! rá ! é fato...
"Os veios foram transar".
Não.
Eles estão transando, ou fazendo amor, ou o nome que você quiser dar a isso, o tempo inteiro, já há poucos anos ou há 30 anos. Não importa.
Não importa como começou, não importa quanto tempo tem. Importa somente a quantidade de amor que existe entre eles, até mesmo nas brigas.
É tanto amor, que, entre um beijo de cinema na varanda, uma tragada aqui e uma lavada de louça ali, eles transbordam. Transbordam a ponto de, mais que ter virado fã deles, você ter feito parte da vida deles, mesmo que de longe, por alguns momentos.
E eles terem feito parte da sua vida, num sábado à noite. Um sábado à noite que você não esquecerá tão cedo, somente por causa deles.
E assim, na vida de um ou outro anônimo, a cidade continua respirando, feliz.
Nasci em 1953, logo tenho mais de cinqüenta anos e sinto-me jovem a mais de trezentos. Acho que nasci mais velho que as pessoas daquele ano, embora sentisse-me sempre a cada ano mais jovem. Descobri o grande amor da minha vida depois dos quarenta, quando já não acreditava mais ser capaz de amar uma mulher mais do que já havia amado. Que bom que estivesse enganado. Aos poucos eu fui percebendo que o primeiro amor não é nada. O último amor é que é tudo! Pontes/09
Eles são incríveis... mas aprendi mais sobre cumplicidade e companheirismo (entre outras coisas) no apartamento da frente...
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