segunda-feira, 5 de abril de 2010

Bitter Night

Era domingo de páscoa. Olhavam para o chão em silêncio.

Sentados no mesmo sofá, apenas a mão dele sobre a perna dela era o sinal de que, talvez, nem tudo estivesse perdido.

Jogando a cabeça para trás, ele quebrou o silêncio, após um longo suspiro, olhando para o teto:

- É... é dificil acertar. Perdi um outro relacionamento, pois não falava o que sentia e agora este porque fui dizer o que estava sentindo...

Ela não conseguia dizer nada. Sabia que havia errado ao terminar com ele, quando ele apenas dividiu que sentia-se um pouco confuso em relação aos dois. Sabia que havia errado, sentia-se amargamente arrependida, mas não conseguia dizer nada para desfazer aquilo tudo.

Apertando a mão dele, apenas lembrava que dias atrás, ele penteava o cabelo dela no banho e enquanto ela se maquiava, faziam planos de fazer uma trilha em algum feriado qualquer.

Foi então que ela soltou baixinho:

- Não acredito que isso esta acontecendo...

No fundo, nenhum dos dois conseguia entender o que de fato havia acontecido, mas sabiam que assim que saissem daquela sala, não teriam de volta os dias mágicos que haviam vivido nos ultimos dois meses.

Ela arrependida.

Ele convencido de que terminar, realmente seria melhor.

Ainda apertando a mão dele tentou, de forma confusa, voltar atrás. Mas mudo, ele continuou com os olhos voltados para o teto, até que num impulso rápido se levantou:

- Eu vou embora.

- Não, não vai embora.. Não assim.

Ignorando o pedido, arrumava suas coisas dentro da mochila, quando sacou de dentro dela o livro que estava lendo e disse que ela abrisse na página 52 e lesse a ultima frase. Assim ela fez, passando o olho rapidamente, fechou os olhos com força e leu a frase em voz alta.

Despediram-se em seguida e ele foi embora.

Não se viram mais.

Naquela páscoa, ele havia lhe dado um ovo de páscoa lindo, embrulhado com um tecido bordado. Deste ovo, ela não conseguiu comer um só pedaço, mas guardou o tecido...

Na páscoa seguinte, tarde da noite procurou o embrulho na gaveta. Encontrou.

Sentindo um amargo na boca, deu-se conta que ainda não o havia esquecido. Respirando fundo, guardou novamente, fechou a gaveta...

E a lembrança.

Ah, o livro?

Feliz Ano Velho.

A Frase?

"o amor não precisa ser eterno, mas infinito enquanto dure".

Um comentário:

Pontes disse...

O amargo doce ou doce amargo fim. Assim alimentam-se as estórias de amor ou quem sabe, algum amor nessas histórias sem fim. O que seja eterno sempre terá fim, dure o que durar. Pontes/10