Passava das quatro da manhã e nada... ela continuava acordada. Cansada de virar de um lado para outro, enrolou-se no cobertor e devagar levantou, tentando não acordá-lo. Foi até a janela e se escorou na parede olhando para fora.
Subitamente esboçou um sorriso. Como era linda Barcelona!
Ali parada, admirando a agitada e encantadora cidade, foi lembrando de quando chegara, dos primeiros dias, da sensação de liberdade e de solidão... Um ano!!! Deuses, como passou rápido...!
Encarando o frio do outono, abriu a janela da sacada, sentou-se e acendeu um cigarro. Passou, então, a relembrar cada experiência vivida naqueles meses, dos lugares que conheceu, dos amigos que fez, das incríveis festas, bebedeiras e choradeiras com saudade do Brasil...
Pronto, em menos de vinte quatro horas, ela poderia matar toda aquela saudade... assim que aquela escuridão desse lugar ao esbranquiçado sol, ela partiria de volta... Foi quando um nó tomou sua garganta e coração. Era, enfim, a última noite daquela temporada...
Tentando engolir o choro e enganar a dor que estava sentindo em dar-se conta de que aquilo acabaria em poucas horas, virou-se em direção ao quarto e passou a observá-lo, coçando a barba enquanto dormia.
Sim! Ali estava sua verdadeira angustia em ir embora. Conheceram-se a menos de dois meses, mas viveram como se jamais fossem deixar de se ver. Naquelas poucas e intensas semanas, pareciam saber tudo um do outro e talvez na tentativa de se protegerem, em nenhum minuto tocaram no como seria quando aquilo acabasse.
Ainda sentada, com os olhos voltados para o quarto, percebeu que ele havia acordado e com os olhos apertados e os cabelos bagunçados vinha em direção a sacada...
- Como puede con este frio, cariño? disse abraçando-a
Não respondeu nada, aceitou o abraço e deixou o nó se desfazer num choro. Ele, com sua voz sempre calma, sussurrou...
- Noooooo.... No estés triste...! Mira, cariño... el amor no tiene por qué ser eterna, pero infinito en cuanto hay duración... lo que dice la bossa nova, no? - sorrindo, enxugava as lágrimas dela...
Pegou-a pela mão e entraram de volta para a cama! Passaram o resto da noite conversando, rindo, namorando... De alguma forma, aquelas palavras aliviaram sua angustia, dando a certeza de que a felicidade estava ali, naquelas poucas horas que lhe sobravam.
Assim que o dia nasceu, ela partiu. Levando e deixando sua história, sem planos...
Sabia que ao tempo pertencia seu futuro...!
Sabia que ao tempo pertencia seu futuro...!
"O amor é o ridículo da vida, a gente procura nele uma pureza inexistente, que ta sempre se pondo, indo embora. A vida traz e leva histórias... como borboletas que vivem apenas vinte e quatro horas... O fim não dói..!" (Cazuza)
Um comentário:
Achei simplista e puro... Com um ar sedutor e envolvente, mas não triste...
Entenda simplista, não como simples e banal, mas como singelo...
Talvez com um toque de sofisticação...
É forte e intenso...
A Espanha remete ao calor e à paixão.
L. Saeros.
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