domingo, 5 de abril de 2009

Opostos se distraem, dispostos se atraem...

Moram em cidades vizinhas, mas todas as manhãs sobem ao mesmo onibus que os levam para a empresa em que ambos trabalham.

Ele, sempre aparentemente emburrado, senta-se na primeira poltrona e raramente conversa com alguém, quando não dorme no caminho, fixa os olhos para fora enquanto coça sua barba.

Ela, sobe na parada seguinte à dele e sempre tem um "bom dia" animado para o motorista e segue sorrindo para alguma poltrona de trás, raramente não conversa, está sempre contando alguma história ou brincando com algum colega de trabalho. Por muitas vezes, tal animação e bom humor o irrita profundamente...

Durante meses, nunca trocaram nenhum esboço de cumprimento.

Certo dia, ele que almoça sempre no mesmo lugar, no mesmo horário, tomava seu café no balcão antes de seguir novamente ao trabalho, quando ouviu certa movimentação no caixa e virou-se para ver o que acontecia.

- Nada posso fazer se o sistema de cartão está fora do ar queridinha, não tenho dinheiro aqui e não há tempo para ir ao banco, o que sugere?

Era ela! A sempre bem humorada, colocando as manguinhas irritadas de fora, enquanto a nova atendente do restaurante, não conseguia passar seu cartão e não achava nenhuma solução para deixá-la ir embora. Ele então aproximou-se, cortando a fila que se formava e quase que num sussurro perguntou à atendente qual o valor da conta em questão, sacando a carteira do bolso.

- R$38,00, senhor.. -Respondeu a atendente

Sacou então uma nota de cinquenta reais e entregou a moça, visivelmente nervosa em seu primeiro dia de trabalho.

- Como assim? Não, não, muito obrigada...

- Você não está com pressa? Aí está, pode ir...

- Quem é você? Mocinha, devolva o dinheiro a ele.

- Deixa disso, você me paga outro dia..

- Outro dia? Querido, agradeço a gentileza, mas não posso aceitar, nem o conheço.

- Não nos conhecemos, mas trabalhamos juntos e todas as manhãs pegamos o mesmo onibus fretado.

- Jura?

- Sim. Agora, aceite o dinheiro e deixe os outros daqui pagarem a conta.

Disse em tom conclusivo, colocando delicadamente as mãos nas costas dela e a conduzindo para a porta, que ainda assustada e confusa olhava pra ele, sem entender...

- Como assim nunca lhe vi?

Sorrindo, ergueu o ombros como quem diz "não sei"...

- Tomamos o mesmo onibus há meses, mas nunca lhe vi aqui no restaurante...

- Pois é, não costumo almoçar.

- Não deveria fazer isso, moça...

- Poxa, mal sei como agradecer, mas já que agora sei que tomamos o mesmo fretado, amanhã mesmo lhe pago...

- Não se preocupe com isso. Façamos o seguinte, almoce comigo qualquer dia e lhe deixo pagar, pode ser?

- Fechado! -respondeu sorrindo

Desde então, ele não dorme mais no caminho até o trabalho e não se irrita mais com o bom humor dela, que senta sempre ao seu lado contando histórias e até conseguindo fazer com que ele conte algumas, também.

Não, eles ainda não almoçaram juntos, mas na verdade, ele vem pensando em convidá-la para jantar...

2 comentários:

Richard disse...

Vamos jantar??

Leandro disse...

Ouvi dizer que a vantagem do conto é que, se ele for ruim, pelo menos ele é curto. Mas isso acaba virando uma desvantagem, se ele for bom...

Mas e aí, saberemos como a história termina?

Beijo!!