quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Doismiledez!

TIVE o melhor reveillon dos últimos 26 anos RODEI mais mil pratos no Cirque du Soleil ACORDEI e descobri que a partir daquele dia, tinha um quarto de verdade ME FANTASIEI de anjo-negro INSISTI em ter um escritório próprio DORMI dois dias do carnaval ME LIBERTEI de paixão antiga RECEBI minha primeira multa do condomínio ACEITEI que grandes amizades acabam e que isso pode ser verdadeiramente bom para ambas as partes DESCOBRI que um beijo às cinco da manhã no fim do mundo pode mudar sua direção por um longo tempo ESQUIEI pela primeira vez PASSEI um dia inteiro sozinha vendo a neve cair FUI ASSALTADA em Buenos Aires PERDI o medo e o preconceito do Rio de Janeiro LI meu primeiro Bukowski CHOREI muito mais de alegria que de tristeza TROQUEI o preto pelo colorido SOBREVIVI a primeira reforma em casa DANCEI com meu pai na balada COZINHEI sorrindo olhando para sala SENTI menos dor e mais saudade dela TENTEI parar de fumar CEDI à minha marrentice SOFRI de crises de enxaqueca COMETI o mesmo erro de quase três anos ME RENDI à certeza de que o que falta é paciência e não amor ME SURPREENDI ao ser descrita como serena e calma (eu?) ESCREVI poesia em guardanapo LARGUEI tudo e me mandei pra Allis ACAMPEI três dias no meu primeiro festival de música ASSISTI cinema mudo deitada na grama ao som de uma orquestra FIZ BARRACO em aeroporto APLAUDI emocionada meu irmão mestre e minha irmã formada GANHEI novas e queridas amizades CANTEI sorrindo dentro do carro e envergonhada em cima de um palco ENTENDI mais uma vez que certas coisas nunca vão mudar e outras mudam da noite para o dia VIVI um dos melhores anos dessa caminhada até aqui e agora quero mais... e não é pouco
Vem Doismileonze Vem!

domingo, 28 de novembro de 2010

Au revoir

Crescemos e não aprendemos a lidar com despedidas.

Seja uma ida logo ali por pouco tempo, não importa, o peito aperta.

Mesmo aquele que vira as costas e caminha sem olhar para traz, não me convence de que vai tranquilo. Despedir-se nunca é fácil.

No fundo sabemos que é aí, que nossa maldita mania de eternizar tudo, cai por terra.

De que adianta ter em casa um quadro imenso, com a fotografia de uma onda no mar? Só existirá beleza se ela estiver ali viva, indo e vindo, sempre de maneira diferente. É ínutil tentar eternizá-la.

Crescemos, não aprendemos e sempre nos esquecemos que, depois da despedida, mesmo com o peito apertado, o novo está logo ali de abraços abertos, nos esperando...!

"Clouds part
Just to give us a little sun..."

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A culpa

das primeiras palavras confusas,
do primeiro olhar entre cigarros,
da vontade contida,
do beijo de despedida.

da saudade que espera
dos risos através da tela,
do coração que aperta.

desse encanto muito,
desse tempo pouco...
desse medo todo.


Su culpa.
Mi culpa.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Heartbeats

O relógio aponta o tempo.
A saudade deseja acelerá-lo.

A realidade aponta o tempo,
O medo deseja pará-lo.

A lembrança aponta o tempo vivido,
O encanto deseja retorná-lo.

A esperança deseja um novo tempo.
O coração deseja esperá-lo.


"Both under influence
we had divine sense
To know what to say
Mind as a razorblade

To call for hands of above
to lean on
Wouldn't be good enough
for me, no"
(José Gonzalez)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Déjà vu

Talvez um dia a gente aprenda e arrisque menos.
Talvez um dia a gente perca o medo.
Talvez um dia a gente pense mais.
Talvez um dia a gente haja mais.

Então, talvez, a gente se dê conta que há coisas que nunca vão mudar! Haverá sempre aquela sensação de que estamos vivendo algo completamente desconhecido.

Vai ver que essa é a graça da cousa...

[ Graças a Deus! ;-)]



"I wish I could give
All I'm longin' to give
I wish I could live
Like I'm longin' to live
I wish I could do
All the things that I can do
And though I'm’m way over due
I'd’d be starting a new"


terça-feira, 14 de setembro de 2010

!Hola vida real! ¿Que tal?

Éééé seu Zé... não deu!

O tempo passou, a viagem acabou e a Ana não escreveu nem metade do que gostaria ter escrito.

Acontece!

Há uma semana estou de volta, na dura tentativa de voltar à realidade. Famosa depressão pós-trip. Inevitavelmente ela desembarca com você no aeroporto e insiste em ficar ao seu lado, intensamente!

Se por um lado ela é extremamente incomoda, por outro é a certeza de que a viagem foi extremamente feliz. E essa certeza eu posso dizer de peito e sorriso aberto!

Minhas semanas na Patagônia, não foram apenas felizes, foram mágicas. Durante dias não pude tirar o sorriso do rosto e o encantamento do coração, sentia-me apaixonada a cada experiência, a cada paisagem.

Claro que havia o ladro negro da força, como o frio excessivo, a vida-dura de mochileira, limitações com meu joelho, etc... Mas a verdade é que nada foi suficiente para me fazer perder a paixão por muitos minutos.

Tenho muito o que escrever sobre as vivências, mas vamos fazer isso aos poucos. Primeiro passo é conseguir trazer o coração e pensamento pra cá, novamente...

Por hora, vamos de top 5 e com a canção que esteve comigo durante mi sueño patagonico...

Top 5 -

1. Leões Marinhos



2. Perito Moreno




3. Esquiar



4. Churrasco na neve



5. Qualquer um dos dias com eles




Sempre ao som dela...


Não sei, só sei que na PATAGÔNIA, foi assim!

sábado, 21 de agosto de 2010

Mi Ushuaia querida!

Hermanitos! Dale!

Como já vinhamos frizando, nao vai rolar escrever todos os dias (tentei fazer como o Nito na copa, mas ele é molto superiore). De qualquer forma dá pra contar tudim!

Quem fica em hostel sabe que, nessas viagens, nao se faz novas amizades e sim "novas amizades de infancia"! Em menos de 8 horas, você ja sabe de tudo da vida da pessoa e vice-versa e como, geralmente, todo mundo esta no mesmo clima, sempre há muita identificaçao. E foi o que já nos aconteceu.

Como contei no post anterior, fizemos nossas "novas amizades de infancia"! Entre brasileiros (que tem de baciada aqui), americanos, argentinos e alemaes, temos já ótimas e engraçadas histórias pra contar dos passeios e bebedeiras no (único) Pub da cidade!



Nádia, Justin, Matthias, Ana e Gustavo

Mas como, nem só de Pub se faz uma viagem, com dificuldade, sempre nos despertamos temprano para conhecer essa que, é a cidade mais encantadora por onde jà passei!

Quarta, aos trancos, barrancos e alguma ressaca fomos fazer o passeio de barco pelo Canal de Beagle. Um barco todo grande-chique! Durante mais ou menos 3 horas, passeamos sobre ele, conhecendo ilhas, leoes marinhos (quis muito um pra mim!), pinguis e cenários absurdamente inacreditáveis.




Canal de Beagle

Na volta ainda existe uma espécie de free shop onde compramos Green Label pela bagatela de R$ 70,00 (Rà!). Graças a Deus estamos no começo da viagem e nao temos como carregar muitas coisas, porque do contrário eu teria deixado "ascarça" naquela lojita!

Como também comentei, um de nossos companheiros de viagem é um alemao, que depois de alguma instistência, conseguiu nos convencer que esquiar seria uma experiência incrível. E foi!

Quinta-feira, caimos da cama (depois de dormir poucas horas) e saimos para o tao lindo Cerro Castor. Matthias, o alemao, com sua paciência e doçura invejáveis foi nosso instrutor!

Já no começo, com a bota, me sentia com 1 ano e meio de idade aprendendo a andar. Sem falar no tanto que a aquela bicha pesa e aperta o pé. Mas é claro que tudo piora depois que se coloca 2 metros de pé, con las tablas de esquì. #ôtremdifícil


100kg de roupa + 200 de bota. Juro.

Os tombos?

Ah... aquele espetáculo! Tudo devidamente fotografado e filmado, para alegria de vocês!


Matthias na missao de me ensinar levantar

Houve também a belíssima cena, em que fiquei presa no final de uma das pistas, com o esquì na tela de proteçao! Nao consegui me mover e sem sucesso e fiquei esperando que alguma boa alma me tirasse dali, já que Matthias havia ido esquiar na pista de gente grande. Nao foi fácil, mas depois de un largo tiempo, alguém percebeu que eu nao estava ali admirando um tronco de árvore, eu estava PRESA! Deu tudo certo!

De qualquer forma, todo o sofrimento uma hora acaba e tivemos nossa recompensa!


Atletas recompensados

Se na ida eu me sentia com um 1 e meio, na volta eu estava com 86! Infinitamente dolorida (mas sempre bem feliz). Apesar de morta-acabada, seria a ùltima noite de nosso amigo-instrutor Matthias e seguimos para o Pub, mal sabendo que a noite seria a mais longa de todas!!!


Hasta las 6 de la mañana!

Recuperados de la fiesta, passamos o dia de sexta-feira, apenas caminhando pela cidade, nos preparando para la noche con los peros!

Fomos para um
cientro invernal, onde andamos com um trenó levados por Huskys, que nos levaram pela neve até uma cabana, com uma fogueira, comida (feita na fogueira), violao e o melhor café que já tomei, feito com conhaque e açucar queimado!


una noche especial

Fomos de trenó e voltamos caminhando... PELA NEVE!!!!

Algumas coisas sao dificeis de descrever e essa é uma delas. Iluminadas por uma lua cheia e muitas estrelas no céu, voltamos numa caminhanda única e absolutamente incrível.

Voltei louca-deslumbrada!

O último dia foi como nostágico e gelado. Acordamos e fomos ao Cerro Martial. Nao sei se por estar desligada ou por ser muito louca mesmo, nao me liguei para onde estavamos indo e nao coloquei roupas térmicas.
#putaquepariuquasemorrodefrio

Nao sei quantos graus abaixo de zero e eu de calça jeans e uma meia calça!
Boluda!

Mas o lugar, como todos os outros, era lindo e valeu o sofrimento! E como castigo (e com sintomas de hipotermia), nao fiz a caminhada pela neve! Fiquei em uma cabana sendo aquecida por um fogao a lenha e escutando as incríveis histórias dos que vivem na montanha!


Por fim, fomos à nossa despedida, com um jantar-delícia, acabando com champagne no hostel por fim.

última noite em Ushuaia


Salud

Assim, nos despedimos dessa primeira parte, de uma viagem que a todo minuto mostra que veio para ser inesquecível. Tenho bastante dificuldade de descrever o que senti nesses cinco dias, neste fin del mundo, apenas consigo dizer que certamente foram um dos cinco dias mais felizes dessa caminhada até aqui.

Ushuaia é como um sonho gelado que nos aquece a vida com paisagens e com vivências que me enchem os olhos de lágrimas ao dizer: Gracias, Ushuaia!




"Ushuaia
sos mi amor del fin del mundo
que me vuelve moribundo con tu piel tierra del fuego. Ushuaia
quiero irme y me da miedo
quizás es porque te quiero y no quiero abandonarte.
Ushuaia
yo daré la vuelta al mundo y a tu olor de mar profundo volveré porque te quiero.
Ushuaia
yo seré tu vagabundo
por tu cuerpo y por tu mundo
que es la tierra de mi fuego."
(Fito Paes)

Hasta luego, Tierra del fuego!

Vem El Calafate! Vem!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

PATAGÔNIA 2010 - 2º DIA

Salve, meus hermanitos quentinhos! ¿que tál?

Tanta coisa pra contar! Mas nao sei se estou mais morta de frio ou de cansada (e temos que sair daqui a pouco!), mas vamos lá!!!

Ontem, como comentei, fomos comer o fondue! Pedimos fondue de queijo e fomos surpreendidas! Aqui nao tem a coisa mixa de paozinho nao!!! O negócio é farto! Junto com o fundue vem salsicha, presunto, couve-flor, raviolli de carne, pedacinho de carne entre outros! Coidiloco! E o vinho? Melhor que jà tomamos até agora! E a conta? R$ 30,00 por pessoa (fondue e vinho)!!! Hohohoho




Voltamos pro hostel animadinhas e continuamos no vinho! Descobrimos que duas garrafas de vinho por noite nos livra de acordar com os roncos dos companheiros de quarto! (e vai nos deixar sem fígado até setembro, mas quem se importa?)




De manha, com dificuldade e muito frio, levantamos e seguimos para o Parque Nacional da Terra do fogo. Uma van nos buscou no hostel e até o parque sao mais ou menos 40 minutos. Como tudo está coberto de neve, é inevitável achar cada pedaço incrivel. Assim que chegamos, fomos recepcionados por duas raposas curiosas!




Mini-medo, mas logo percebemos que elas queriam mesmo era ver se descolavam algum pedacinho de comida! (sempre tem turista-ze-ruela que dá alguma coisa..)

A caminhada durou mais ou menos quatro horas (to morta!). Tudo bem lindo, mesmo! Ainda faltou fazer um pedaço do parque, mas estávamos cansados e com fome. Fora o frio que começou a judiar de verdade. No final, cansados, sentamos para um café quente, com uma vista indiscritível e antes de ir emboral ainda fomos visitados por coelhitos-lindinhos!

No caminho de volta, o tempo estava aberto e seguimos em silêncio contemplando! Às vezes, demoro pra acreditar que tô vendo aquilo de verdade.



Fomos almoçar e finalmente pude comer Lomo! Delicinha, viu? Temos um companheiro brasileiro e um alemao, que mora no Rio de Janeiro, que vai nos levar para esquiar!

Medo-Confesso!

E é com nossos amigos-do-fim-do-mundo que estamos indo agora beber um bocadim!!!

Tudo bom demais, viu?

Ana tá cada segundo mais feliz com essa aventurinha geladinha!!!



Hasta pronto cariños!!!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

PATAGÔNIA 2010 - Primeiras notícias!

¿Que tal hermanitos?

Com a ressaca de nossa sexta-feira e alguma chateacao com os irmaos, desembarquei em Buenos Aires. Vôo atrasado, mas tranquilo. Milhoes de pesos para o taxi e chegamos no hostel. Ficamos no mesmo hostel que fiquei da outra vez que estive em Aires e foi um tanto nostalgico. Está mais velho e sujo, mesmo assim continua com a mesma boa energia.

Chegamos já noite, entao tratamos de passar uma maquiagem no rosto e sair! Como estávamos cansadas, pensamos que o melhor mesmo seria ficar por San Telmo, que sinceramente para mim nao há nenhum sacrificio. Fomos, entao a Plaza Dorrego e escolhemos um PUB.

Decorçao incrivel, vinho e banda nos surpreendendo com Bossa Nova. Foi incrivel! Saimos de la quase 4hrs da manha, entre tropeços, risos e nadoca esquecendo a bolsa no bar (borrachas!)

Domingo, acordamos e sem pressa fomos à famosa feira de San Telmo. Jesus-Maria-José, era a Benedito Calixto (com um ´q´ de ladeira porto geral)! Juro! SÓ TINHA BRASILEIRO. Muita afliçao! Dificil era escutar alguem falando espanhol! O Brasil ta em Buenos Aires!

Almocei no mesmo restaurante onde almocei da primeira vez, na viagem anterior! Nostalgica de novo! A noite fomos a outro PUB e pudemos desfrutar de um oooootimo Jazz, ao vivo!

Mas até aí, ainda me faltava a impressao de que a viagem havia começado! Tudo era de alguma forma familiar e meu coraçao aguardava mesmo a Patagônia.

Despertamos, entao, nas primeiras horas da manha e seguimos para o aeroporto, com destino a Ushuaia. Bom, se o Brasil estava na benedito, quero dizer, na feira de San Telmo, a Argentina inteira estava no aeroporto! Sete horas da manha e nao cabia mais ninguém naquele lugar! Desesperador.

Vai pra uma fila, muda pra outra, deixa passar passageiros atrasados, paga milhoes num cafè da manha, embarca, 3h30 de vôo e descemos em Ushuaia!

Siiim! Ao ver os primeiros pontos brancos nas montanhas, meu coraçao começou a sorrir e veio a sensaçao de ´agora sim´!

Frio?
BAGARAI! 3 graus, mais ou menos...! Mas, segundo o povo aqui o dia foi de verao! Há dias atrás teve a bagatela de -17 graus (putaquepariuquesorte)

A cidade?

Linda!Linda!Linda! Parece de brinquedo! Casinhas pequeninas e coloridas, com chaminé! Mal conseguiamos conversar dentro do taxi, parecendo crianças chegando num parque de diversoes! Afinal, nao é todo dia que se chega no FIM DO MUNDO!!!!!

Chegamos no hostel e mais lindezas! O hostel é lindo, todo modernito e com um atendimento absurdamente incrivel! Saimos para almoçar e depois fomos ao museu do fim do mundo e na antiga casa do governo...(chato-prontofalei!). Acho que esperava mais, principalmente do tao comentado Museo del fin del mundo!

Enfim, tem que conhecer, né?

O frio apertou, uma chuvinha apareceu e voltamos agora pro hostel! Programamos nossos futuros dias no fim do mundo e adianto que vai ter passeio noturno na neve com Husky!!! (aiquemedo-quelegal)

Acho que vai dar pra contar tudo durantes os dias!

Agora vamos tomar alguma coisa por aqui (tipo um banho!) e sair pra comer um fondue (rá!) !!!!

Sendo assim...

Hasta luego chiquitos!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ali, no fim do mundo...!

Eu sei, eu sei...

Sei que a nova decoração ficou bonitinha, mas ela não foi embora não! Vai ficar guardadinha por pouco tempo e por justa causa! Durante um mês o blog ficará assim, mais branquinho e geladinho, afinal...

A ANA VAI PRA PATAGÔNIA!!!!!


É, eu vou!

A idéia surgiu há algum tempo, mas por ironia do acaso só agora deu certo e vou com Nádia, amiga-mais-antiga-querida-da-vida!

Vamos pela Argentina, a viagem ao todo terá 25 dias e nosso roteiro será:

Buenos Aires Ushuaia El Calafate El Chalten El Calafate Buenos Aires




A intenção é usar o blog como um diário da viagem! Escrevendo sempre que houver tempo e um computador por perto! Assim vou dando notícias e dividindo com vocês essa experiência incrivel na vida!

Embarcamos amanhã e assim que puder dou início ao meu mais novo diário!!!

Vem, Patagônia, Vem!!!!

Hasta luego muchachos!!!


domingo, 8 de agosto de 2010

Dulces mañanas

Uma das lembranças mais doces de minha infância, é sem dúvida, a das manhãs de domingo no apartamento de papai, em São Paulo.

Metódico de carteirinha, fazia sempre o mesmo ritual, levantando cedo e colocando música para fazer o café [e para nos despertar também!], nossa sorte é que crescemos acordando com Beatles, Pink Floyd, Novos Baianos, entre outros.

Ficávamos o final de semana com ele a cada quinze dias, por isso desfrutávamos de algumas regalias, como dormir os três na cama dele! Tenho infinitas recordações de abrir os olhos e vê-lo sentado na ponta de sua cama, nos olhando. Em uma das vezes, acordei e o vi, ali sentado e com lágrimas nos olhos. Assustada perguntei:

- Por que você tá chorando, pai?

- Porque eu tô com saudade de vocês.

- Mas pai, a gente tá aqui.

- Eu sei, filha... mas eu continuo com saudade.

Claro que só fui entender realmente o que ele queria dizer, anos mais tarde.

Bom, aí a gente levantava, tomava café e nos dias de sol íamos para piscina [respeitando sempre o melecado ritual do protetor solar, que eu odiava], mas nos dias frios ou de chuva inventávamos o que fazer.

Em um desses dias, sem piscina, papai colocou o disco de Ray Coniff [que pra mim era música de festa chique #ôfase] e começamos a dançar em frente ao espelho que havia no final do corredor. Na verdade não era bem uma dança, fazíamos palhaçada com as mãos e pernas para o outro imitar. Assim, ficamos os quatro, talvez por quase o disco todo, ali pulando desajeitados na frente do espelho.

Isso deve ter quase uns vinte anos, mas jamais esqueci desta cena.

Quando papai voltou para Fortaleza, voltei diversas vezes ao apartamento, arrumando as coisas, antes dele ser vendido, em uma delas o apartamento estava praticamente vazio e sujo, mas o espelho do corredor continuava lá. Sentei num banquinho de madeira, única coisa que havia na sala, e fiquei ali com a lembrança tão viva que conseguia ouvir a música e nos ver ali dançando.

Isso aconteceu hoje também!

Feliz por ter vivido essas manhãs. Feliz por ter o pai que tenho.

Te amo, pai!



Feliz dia dos Pais!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

As Quartas!

Já estava infinitamente irritada quando no meio de um dos corredores avistou o tamanho da fila do caixa.

"Putaquepariu"

Esticou-se para tentar avistar uma fila menor, mas a única coisa que reconhecia era um mar de gente. Respirou fundo e bufando com força, empurrou o carrinho para a fila a sua frente, até sentir o carrinho parar bruscamente atrás de um homem que se curvou, soltando um alto:

- Ai!

- Ô moço, desculpa.

- Não, tudo bem... acontece.

Gentilmente tirou o carrinho de perto, a sorriu e virou-se para frente novamente, quando ela continuou:

- Vai ter guerra ou amanhã é Natal?

- Oi?

- Olha esse supermercado! O Brasil está aqui! E ao que me consta hoje é apenas uma quarta-feira comum, não?

- Sim, você acertou. -respondeu rindo

- Acertei?

- Sim, hoje é quarta e quarta é o dia da oferta. É sempre assim.

- Eu heim! E você vem sempre na quarta?

- Não. Sei disso porque sempre evito as quartas, também.

Ok. Não havia gelo, nem alcool, nem música. Sem dizer na conversa iniciada com um "você vem sempre aqui?", de qualquer forma continuaram ali passando o tempo da fila, conversando sobre o absurdo dos preços e as delícias das músicas e do cinema.

Sim, sem perceber estavam dividindo seus gostos e descobrindo afinidades.

- Não acredito! Você também gosta dele?

- Sim! Tenho a discografia completa!

E assim foi! Entre risos e descobertas o tempo passou e a fila andou! Ela ainda bateu com o carrinho no pé dele umas três vezes.

- Ai desculpa! Sou tão estabanada!

- Tudo bem! Eu já percebi!

A sensação de que se já se conheciam era imensa. E deveria ser clara, afinal quando chegaram ao caixa, tiveram que explicar que a compra era separada.

Naturalmente, ele a esperou e a ajudou guardar as compras. Assim que terminaram, seguiram empurrando seus carinhos até o estacionamento.

- Bom, meu carro tá pra cá...

- Ok. O meu tá lá pra cima...

Meio desajeitados iniciaram uma despedida.

- Não esquece de ver aquele filme, hein!?!

- Pode deixar! E você, vê se acha aquele som que te falei! Você vai gostar!

- Podexá!

Assim, foi cada um pro seu carro.

Sabiam, antes de entrar em seus carros, que faltava algo. Sabiam que nem haviam se quer se apresentado direito.

Será que ela disse o nome dela e eu não lembro?

Ele pensou em correr, perguntar o nome dela, o telefone. Ela esperou que ele fizesse isso. Mas ele não teve coragem.

Assim, foi cada um pro seu lado.

Desde então, voltam sempre as quartas-feiras, e antes de procurarem o café ou sabão em pó, passam com os olhos atentos a procura um do outro.

domingo, 1 de agosto de 2010

Seu Saraiva? O sr. por aqui?

Ando tão sem paciência. Tanto.

Não é mau humor, na maior parte do tempo estou bem, bastante sorridente até, mas em poucos segundos algo me irrita e eu acabo sendo grosseira. Muito.

Tô com a sensação que eu entrei na sala da TPM e não tô achando a porta de saída. Porque apesar de ter que conviver com a tal "tendência pra matar" durante mais de uma semana no mês, dessa vez não é ela, sou eu. Desesperador. Juro.

Nunca fui muito paciente, mas agora a coisa agravou de vez. Do jeito que o pensamento vem, ele sai e geralmente não traz boas noticias. Me sentindo um velho-ranzinza-arrogante. Credo.

Eu sei, a fase é de mudança e isso desequilibra. Eu sei. Mas não quero essa sensação de tolerância zero, não. Não quero perder minha velha e boa preguiça das pessoas, mas não preciso querer matá-las. Ou não.

Lembro do meu pai, na área de serviço do apartamento que morava aqui em São Paulo, andando de um lado para o outro dizendo "Dai-me paciência senhor, dai-me paciência". Era o jeito que ele encontrava de se acalmar pra não machucar a gente e ele não machucava, mas também não se acalmava. Espero que funcione comigo. Mesmo.

Eu tô exagerando. Claro.

Mas tenho me irritado facilmente mesmo e isso tem me dado cada vez mais vontade de ficar sozinha. Respiro fundo e penso na Patagônia. Nunca desejei tanto que tempo voasse. Treze dias. Tá chegando.

Calma, Ana. Calma

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Slava´s Incrível Show

Poucas gente sabe, mas um dos meus sonhos de pequena, era ser palhaço. Não sei bem por que, na verdade não fui muitas vezes ao circo quando criança, mas a imagem do palhaço sempre foi algo que me encantou. Na adolescência comecei a fazer teatro e foi nas aulas de clown que minha paixão se concretizou.

Lembro-me que uma das primeiras técnicas, era aprender transferir os olhos para o nariz! Ele deveria "olhar" antes que os olhos! Sai da primeira aula absolutamente encantada, passei a semana toda treinando, "olhando com nariz"!

Algum tempo se passou, veio a história de vestibular e junto com ela a frase de minha mãe "Artes Cenicas, filha? E você vai viver do que?" [mal sabia ela que psicologia não seria tão diferente...]. Aí voltei meus olhos para o lugar e acabei desatando as mãos com o teatro,com o clown. Trago esse amargo na boca até hoje e talvez por isso, fale tão pouco no assunto.

Nesse espaço de tempo, a vida sempre se encarregou de me deixar próxima do assunto. Na faculdade participei de pesquisas sobre teatro, trabalhos sobre doutores da alegria e anos mais tarde os caminhos me levaram pra dentro do tão grandioso Cirque du Soleil. Todas essas experiências sempre mexeram muito comigo, em especial o Cirque, claro, mas em todas elas eu estava envolvida em algo maior, com responsabilidades, que acabavam me afastando da sensação de voltar para aquele encantamento com o tema.

Eis que ontem um judeuzito-ruivo-muito-querido, me presenteou com ingressos para o espetáculo Slava´s Snowshow. Até então, eu pouco sabia do que realmente se tratava, sabia que era relacionado a circo e que por isso, queria levar meu afilhado [o que não aconteceu, já que classificação etaria não permitiu].

Ai aquela correria da vida paulistana, corre-transito-banhocorrendo-searruma-sai-mais transito. Sentei meio esbaforida sem saber muito o que esperar. Foi quando, já na primeira cena, meu coração disparou. Palhaço amarelo, o principal, entra em cena e ali, de cara, me dei conta que jamais teria visto um palhaço mais palhaço do que ele. Incrivelmente perfeito.

E com o coração acelerado e a boca-seca-sorrindo, fui me surpreendendo a cada minuto. Tudo! As cores, as músicas, os gestos.


Aos poucos, entre risos e olhos marejados, fui voltando ao meu sonho de menina. Diante daquele universo rico, colorido e cheio de emoção, fui levada à minha paixão antiga. Incrível!

Há um intervalo, de vinte minutos, em que todos eles descem do palco e ficam ali entre todos, brincando. Não dizem nada, apenas passeiam sobre as cadeiras, deitando nos colos, despenteando os cabelos, fazendo crianças rirem e senhores de gravata rirem como crianças.

Quando retornam, ele, o amarelo, nos derruba com uma das cenas mais emocionantes do espetáculo, protagonizados por ele e um paletó.

E quando estamos ali, plenamente emocionados e até satisfeitos, somos surpeendidos pela indiscritivel cena final. Ao som de Carmina Burana, achei que meu coração fosse pular pela boca. [Juro]. Olhei para trás e vi que não era a única.





Sem palavras e cobertos pela neve de papel, levantamos todos aplaudindo com força e com gritos. E ali de pé ainda pudemos brincar com as enormes bolas que brotaram do fundo do palco em direção ao público.



Sai deste espetáculo com a certeza [clara e absoluta], que foi uma das coisas mais incríveis que já vi na vida.

Sorrisos de agradecimentos a esses russos queridos de nariz vermelho!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Hoje


"Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sonho Sonhado

Tarde da noite, ajeitava-se na cama quando um barulho a despertou. Num impulso rápido sentou-se na cama e olhou fixamente assustada:

- Mãe? Mãe, é vc?

Ajeitando os sapatos em pares, no canto, respondeu:

- Isso aqui tá uma bagunça, hein?

-Meu Deus, mãe...é você...

- Sim, filha...

Em choque, com os olhos assustados e cheios d´agua perguntou?

- Eu tô sonhando, né?

Como resposta, teve apenas um doce sorriso e uma aproximação.

- Você é um espírito? Eu preciso ter medo de você?

- Deixa de besteira! Sou sua mãe, menina!

- Ué, mãe sei lá... mas, mas... caramba! é você mãe!

- Sim filha, sou eu... disse sentando ao lado dela na cama e estendendo as mãos.

- Ai meu Deus! Mas... mas... pode abraçar....?

- Ô filha, claro, vem cá me dar um abraço!

Em meio segundo, jogou-se nos braços da mãe e desatou num choro.

- Que saudade mãe que saudade como isso ta acontecendo porque você foi embora como foi que aquilo tudo aconteceu diz pra mim que não tô sonhando diz pra mim que você não vai embora nunca mais por favor.

- Calma, filha... tá tudo bem... - sorrindo, acalentou até que ela parasse de chorar e voltasse a respirar normalmente.

- Onde você fica agora, mãe? Existe céu? E Deus, mãe? Tem anjo? E meus avós? Você viu eles?

- Filha... - apenas balançava a cabeça ainda sorrindo...

- Me conta mãe? Por que você foi embora? Eles erraram, né? Os médicos, não foi?

- Filha... isso não importa agora... acalme-se...

- Que acalme-se o que, mãe! Faz dois anos que me pergunto isso... faz dois anos que não vejo você!

Sorrindo, continuava a acalenta-la, acalmando-a.

- Minha filha, estou aqui apenas pra que você saiba que eu estou bem... está tudo bem...

- Que bem o que, mãe! Bem estaria se você estivesse sempre aqui...

- Mas eu estou, filha! Não como antes, mas estou e vou sempre estar.

- E meus irmãos, mãe? Você falou com eles também? Sabia que somos muito amigos agora? É tão bom mãe, estamos juntos quase sempre! Queria tanto que você visse isso...

- Eu vejo sim, filha... estou muito orgulhosa de vocês!

- Você vê tudo, mãe? Queria te contar tantas coisas...

- Você precisa voltar a dormir, minha filha. Tem que acordar cedo amanhã...

- Não quero. Quero ficar aqui com você...

Retomaram o abraço, dessa vez longo e calmo.

- Sinto tanto a sua falta, mãe...

- Eu sei, filha.. eu também. Agora quero que volte a dormir e acorde bem amanhã.

- Mãe..

- Oi...

- Lembra quando eu era pequena, derrubava sempre o edredom no chão, porque me mexia demais na cama? Ai você me "prendia", colocando ele debaixo do colchão, pra eu não me descobrir?

- Claro que lembro... - respondeu rindo...

- Me "prende" antes de ir embora?

Enxugando as lágrimas do rosto dela e a conduzindo deitar, balançou a cabeça com um sim, sempre sorrindo.

- Durma bem, filha. Está tudo bem...

Ajeitando a cabeça no travesseiro, foi fechando os olhos e com eles já fechados ainda soltou:

- Mãe...

- Oi, filha...

- Você me ama? Muito ou pouco?

- Sim, filha, pouco não!

Assim, adormeceu.... sorrindo!


À todos os amigos que estiveram comigo, ao pequenino e peludo Flock, à minha tia Natália, Waldir, Analice, aos amigos da faculdade onde ela estudou, à Tia Cris, Lucila, Carlos, à minha querida analista Silvia, à meu amado Pai , à Vilma e principalmente aos meus preciosos irmãos, Thiago e Clarissa. Sem vocês teria sido muito mais dificil!
Amo vocês e essa força que vocês me ajudaram a criar nesses dois anos sem Nonô!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ô fase...





Não aguento mais TPM...










Tô tão cansada...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Rosa Vilma

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

A menina que tirava de um tijolo, o sorriso de uma boneca.

A mulher que aprendeu a beleza de se saber mulher.

A mulher que fez nascer de uma dor, um novo amor.

A mãe do amor incondicional, do perdão preso no peito, do amor solto no vento, oferecendo ao mundo a beleza de sua existência.

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza.


Vilma, rosa linda de meu jardim.

Minha amiga, minha mãe da vida, minha admiração.

Dona de meu amor puro e sincero.

E assim será sempre.

Feliz Aniversário, mainha.


Ela, minha rosa, Vilma

domingo, 6 de junho de 2010

When I Fall In Love

Tudo o que se quer é sentir o olho brilhar, a barriga gelar, sorrir o encanto minutos antes de dormir.
Tudo o que se quer é não pensar no real, não saber dos defeitos... não pensar no futuro sem deixar de desejá-lo a cada minuto.
Tudo o que se quer é se entregar, deixar o medo lá fora, sabendo que ele nunca vai embora.
Tudo o que se quer é que dure bastante [ou o bastante].
Tudo o que se quer é acreditar.
Mesmo quando negamos,
A [inevitável] vontade de amar!


"Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor e dou risada do grande amor....
Mentira...!"

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Opa!



SÓ VIM TIRAR O PÓ!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Por último, o primeiro...

E tem aquela fase em que a gente jura acreditar que o amor é o "ridículo da vida", que a gente procura aquela pureza inexistente!

E tem sempre aqueles que nos vem mostrar o contrário!

E eu [sempre] amo vocês, quando fazem isso!

Poesia feita por meu pai a Vilma, sua esposa [e minha amiga-mainha-amada]

Meu limite (para Vilma)

Da margem em que estou ele é você
porque já pulou fora do que sou
e sabe o que quer e aonde vou
brotando a flor da pele do querer.

Foi na raiz do tempo que passou
que em mim nasceu o que é mais sagrado
mas que virou segredo revelado:
amar assim eu sei ninguém lhe amou.

Sem você, sou caminho sem chegada,
pois é habitação do meu desejo
não ver o meu limite nessa estrada.


Fronteira do espanto onde revejo
que você foi eterna namorada
que deu por último o primeiro beijo.

Pontes/10
Fortaleza, 04 de maio de 2010. (13:21)



domingo, 25 de abril de 2010

"Pleased to meet you, hope you guess my name"

Com os braços pra cima, espreguiçou antes de abrir os olhos.

Puta-que-pariu onde é que eu tô?

Num impulso rápido, sentou-se na cama e sentiu sua cabeça rodar de ressaca. Não conseguia pensar, tão pouco lembrava de algo da noite anterior. Esfregando as mãos no rosto, tentava desesperadamente descobrir de quem era aquele quarto e de que forma ele havia parado ali.

A última lembrança era do aniversário da sobrinha, no dia anterior.

Olhava em volta, buscando alguma pista. Roupas no chão, nenhum porta-retrato, livros, perfumes e bijuterias. Havia algum banheiro próximo, de onde vinha um barulho de chuveiro. Aos poucos, mesmo sentindo sua cabeça latejar, foi recordando que saira do aniversário para um bar, que estava com seu amigo...

Ah que ótimo! Estou sem carro!

Além de não ter idéia de onde estava, morava na cidade há pouco mais de um ano e nesse tempo apenas havia aprendido o caminho de casa para o trabalho ou para casa do irmão. Pensou em esperar a dona do quarto aparecer, mas não tinha idéia de como reagir. Decidiu colocar a roupa e ir embora, com sorte sairia sem ser visto.

Fez tudo rapidamente, mas sem fazer barulho. Desceu as escadas, quase alcançou a porta, quando uma voz feminina veio da cozinha:

- Bom dia! Ta indo embora?

- Não. É que... Bom dia, tudo bem?

Meu Deus. Quem é essa garota? Não é possivel... Que eu faço? Vou embora? Por favor, me faça lembrar de alguma coisa.

Resolveu voltar em direção a cozinha.

- Toma um café! - Ofereceu a garota.

- Obrigado. - Agradeceu olhando fixamente para ela, mas nada... não conseguia lembrar.

- Você está bem?

- Sim. Não... Quer dizer... um pouco de ressaca, só.

- Senta um pouco.

Gentilmente a garota puxou uma cadeira, sugerindo também que ele comesse algo. Mudo, continuava a olha-la. Aos poucos começou a lembrar de mais algumas coisas da noite, mas ainda não conseguia encaixá-la em nenhuma das lembranças. Pensava se deveria ter alguma atitude de carinho, algo que não demonstrasse tão claramente que ele estava absolutamente perdido ali.

- Não faça cerimonia! Coma algo! Quer me convencer agora que é tímido? - disse rindo, a garota.

Sim! Teve certeza que deveria demonstrar algo de intimidade logo, antes que ela percebesse que ele não lembrava de nada. Preparou-se para levantar, abraça-la, alguma brincadeira, qualquer coisas assim, quando ela, abrindo o armário e pegando mais uma xícara , gritou:

- Amor, larga isso aí! Vem tomar café!

Amor? Que porra é essa? Meu Deus! Quem são essas pessoas? Preciso sumir daqui!

- E aí cara, beleza? - Disse o homem, que entrou pela porta da cozinha sem camisa, estendendo a mão.

- Opa! - respondeu, apertando a mão do homem.

Deu três goladas rápidas na xícara de café e levantou para sumir rapidamente. Sentia-se desesperado.

- Bom, deixa eu ir...

Preparou para se despedir, quando sentiu uma mão em sua cintura.

- Bom dia!

Enxugando os cabelos, lhe deu um beijo e continuou...

- Dormiu bem?

Sim! Era ela! Em rápidos flashs recordou de tudo. Deles no balcão do bar, das risadas, do amigo indo embora, dela dizendo que eles moravam perto, que morava com a prima , deles no carro, do caminho até a casa dela, da noite...

- Sim, bastante! - respondeu retribuindo o beijo, completamente aliviado.

Enquanto a observava, conversando com sua prima e o namorado, ia lembrando de todos os detalhes e chegou a sentar novamente. Foi quando se deu conta de que ainda faltava algo...

Ok. Como é o nome dela?

Esperou um pouco pra ver se recordava ou se alguém a chamaria pelo nome, mas nenhum dos dois aconteceu. Era melhor ir embora mesmo.

- Bom, preciso ir!

- Vamos, eu te levo!

Seguiram para o carro e no caminho conversaram mais um pouco sobre a vida, loucuras, bebidas e até sobre amnésia alcoolica! Pensou em aproveitar a deixa e dizer que não lembrava do nome dela, mas desistiu. Algo lhe dizia que era Jaqueline, mas não quis arriscar.

Ao chegarem a casa dele, pediu a ela o telefone e anotou no celular ,como Jaqueline mesmo. Despediram-se com um beijo e um "adorei". Assim que desceu do carro, deixou cair sua carteira no chão, quando a ouviu:

- Rodrigo, sua carteira caiu!

Rodrigo?

Seu nome estava longe de ser Rodrigo! Abaixou, pegou a carteira, agradeceu e resolveu não dizer nada. Vendo o carro dela se afastar, teve uma crise de riso e entrou sem acreditar no que havia vivido!

Nunca entendeu se ela apenas havia se enganado ou se aquilo era um sinal de que ela teria percebido sua "amnésia".

De qualquer forma, também nunca se convenceu de que ela se chamasse Jaqueline.

sábado, 24 de abril de 2010

Ilegal, Imoral ou Engorda

E ai que a partir de algum momento a gente começa aprender que não deve cuspir no chão, que a tomada da choque, que refrigerante é só aos finais de semana, que menina precisa cruzar as pernas e menino não pode coçar o saco na frente dos outros.

"Vivo condenado a fazer o que não quero
Então bem comportado às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer"

Até um certo ponto, enquanto bebês, tudo que a gente faz é bonitinho. De repente da noite pro dia uma palavrinha de três letras começa a ser repetida a cada 3 minutos e sempre num tom nada gentil...

"NÃO!"

"NÃO PODE!"
"Restam meus botões...
Já não sei mais o que é certo"


Assim, colecionando todos eles, que teoricamente sempre foram dados "para o nosso bem", a gente cresce. Aos poucos eles deixaram de sair da boca de algum adulto, para morar dentro de nós mesmos.

"Há muito me perdi entre mil filosofias
Virei homem calado e até desconfiado
Procuro andar direito e ter os pés no chão
Mas certas coisas sempre me chamam atenção"


Com o tempo, passamos a desafiar alguns, largar mão de outros e existem aqueles que chegam a virar SIM! Mas tem aquele bocado que a gente respeita ou até se orgulha!

Quantas águas por aí, a gente bate no peito e diz "dessa não beberei"?!?!

Ahhh se lembrassemos que o tempo passa e as coisas mudam...! Que inevitavelmente bate na porta o famoso " cuspir pra cima...."!!!

"Cá com meus botões... Bolas eu não sou de ferro"

Acontece que é no momento em que "cai na testa", que a gente descobre que aquele "NÃO", aquele"NUNCA", só tinham tamanho! [isso se você não matou, não roubou ou o escambau, né Seu Zé?].

"Que culpa tenho eu
Me diga amigo meu.."

Aí é quando você volta pra casa e parado no transito [com o "cuspe na testa"], tem uma crise de riso e só consegue pensar:

"Como a gente deixa de viver por besteira!"


Será que tudo que eu gosto
É ilegal, é imoral ou engorda?"

(ROBERTO CARLOS)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Bitter Night

Era domingo de páscoa. Olhavam para o chão em silêncio.

Sentados no mesmo sofá, apenas a mão dele sobre a perna dela era o sinal de que, talvez, nem tudo estivesse perdido.

Jogando a cabeça para trás, ele quebrou o silêncio, após um longo suspiro, olhando para o teto:

- É... é dificil acertar. Perdi um outro relacionamento, pois não falava o que sentia e agora este porque fui dizer o que estava sentindo...

Ela não conseguia dizer nada. Sabia que havia errado ao terminar com ele, quando ele apenas dividiu que sentia-se um pouco confuso em relação aos dois. Sabia que havia errado, sentia-se amargamente arrependida, mas não conseguia dizer nada para desfazer aquilo tudo.

Apertando a mão dele, apenas lembrava que dias atrás, ele penteava o cabelo dela no banho e enquanto ela se maquiava, faziam planos de fazer uma trilha em algum feriado qualquer.

Foi então que ela soltou baixinho:

- Não acredito que isso esta acontecendo...

No fundo, nenhum dos dois conseguia entender o que de fato havia acontecido, mas sabiam que assim que saissem daquela sala, não teriam de volta os dias mágicos que haviam vivido nos ultimos dois meses.

Ela arrependida.

Ele convencido de que terminar, realmente seria melhor.

Ainda apertando a mão dele tentou, de forma confusa, voltar atrás. Mas mudo, ele continuou com os olhos voltados para o teto, até que num impulso rápido se levantou:

- Eu vou embora.

- Não, não vai embora.. Não assim.

Ignorando o pedido, arrumava suas coisas dentro da mochila, quando sacou de dentro dela o livro que estava lendo e disse que ela abrisse na página 52 e lesse a ultima frase. Assim ela fez, passando o olho rapidamente, fechou os olhos com força e leu a frase em voz alta.

Despediram-se em seguida e ele foi embora.

Não se viram mais.

Naquela páscoa, ele havia lhe dado um ovo de páscoa lindo, embrulhado com um tecido bordado. Deste ovo, ela não conseguiu comer um só pedaço, mas guardou o tecido...

Na páscoa seguinte, tarde da noite procurou o embrulho na gaveta. Encontrou.

Sentindo um amargo na boca, deu-se conta que ainda não o havia esquecido. Respirando fundo, guardou novamente, fechou a gaveta...

E a lembrança.

Ah, o livro?

Feliz Ano Velho.

A Frase?

"o amor não precisa ser eterno, mas infinito enquanto dure".

domingo, 21 de março de 2010

Antes...

Repetindo antigos erros, seguimos pela ansia do brilho no olhar, da barriga gelada, do sorriso que escapa antes de dormir, da luta contra o medo, do olhar na mesma direção...

Assim caminhamos em busca daquilo que nos ensinaram como ideal, daquilo que nos prove que poesias, músicas e histórias existem de verdade.

No decorrer do caminho acreditamos e desacreditamos uma porção de vezes. Sempre diante de um novo fim ou de um novo começo.

A grande verdade é que lançamos esta crença à sorte, tirando de nós mesmos a responsabilidade pelos acertos e erros diante dos começos e fins. Assim, na maioria das vezes não nos damos conta de aprender o tanto que cada história vivida nos ensinou.

"Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes,
é necessário ser um."
(Fernando Pessoa)

sábado, 13 de março de 2010

Congênito

"Se a gente falasse menos
Talvez compreendesse mais"

A melodia, o cheiro e as palavras continuam aqui...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Céu em festa!

Ele merecia um texto imenso, infinito...
Ele merecia muito mais...
Mas um aperto no peito e um nó na garganta me impedem!

Fica então o registro da última vez em que nos vimos!
Da mão dele apertando a minha,
das perguntas lúcidas sobre minha vida,
do radinho de pilha no bolso,
das poesias recitadas,
do meu choro em cada uma delas...

Neste dia, em algum momento, ele me falou algo sobre a vontade de ir embora.
Nada pesado, num tom de humor
"Chega, já vivi muito, chega!"

Hoje, aos 94 anos, ele se foi...
Deixando um vazio enorme no meu peito,
Mas um orgulho infinito de ter sido neta do homem mais sábio que já conheci!

Mamita, abraça e beija ele por mim!



Descansa em paz vô!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O dia mais feliz!

Tanto tempo sem passar por aqui...
Tanta coisa pra contar...
Tanta...
Cheguei a pouco do trabalho (!!! viva Cirque du Soleil), correndo pra dormir, afinal volto pra lá antes das 9hrs. Mas, por aqui, nada de sono...
Talvez ainda agitada com aquela loucura toda, talvez pelo vazio de passar o aniversário sem ela.
Amanhã, domingo, completarei mais uma primevera e a segunda sem o abraço dela.
Putaquepariu.
Não, não é tristeza... não exatamente.
É saudade. Muita.
Todos os anos era igual, às vezes a meia-noite, às vezes logo de manhã, lá vinha ela com um sorriso (unico..), um beijo na testa, um abraço e a frase "foi o dia mais feliz de toda minha vida", o curioso é que a frase sempre antecedia o tradicional "parabéns!".
Nunca dei muita importancia pra essa frase, na verdade. Ah! Era meu aniversário, teria presentes, teria festa, teria gente... Hoje, eu trocaria alguns dentes da frente só por um unico abraço daquele acompanhado desta frase!
Há exatos 1 ano e 8 meses, muita coisa mudou, inclusive minha visão do aniversário! Hoje, eu só consigo me lembrar de que "foi o dia mais feliz da vida dela", e é isso que importa!
Ela sempre contou (com água nos olhos), que no dia em que ela saiu da maternidade, terça-feira de carnaval, tocava na rádio a música "É hoje" e ela na Avenida Paulista, saindo ho hospital Nove de Julho, cantava baixinho pra não nos assustar " Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz do que eu!?!"
Eu não sei onde, hoje, minha mãe está... mas, seja lá onde for, eu fiquei para festejar o dia mais feliz da vida dela!!
E quero sempre que seja com muita alegria!
Com muita saudade, com algum choro, mas com muita, muita, muita alegria!!



7 meses após "o dia mais feliz da vida dela"